Realizando o sonho de ir para o México

Como todo amante da América Latina, eu tenho o desejo de conhecer os países, a cultura e, enfim, conviver com pessoas que moram nesses lugares. Até que em 2014 eu tive a oportunidade de ir pro México e realizar esse sonho.

Fomos eu e a minha mãe para a Cidade do México e ficamos dez dias lá. Ela tinha vontade de conhecer o Dia dos Mortos e, por sabermos da cultura deles de festejar essa data, fomos nessa época. Chegamos no dia 30 de outubro e voltamos dia 10 de novembro. Vem ler a minha experiência na terra dos mariachis!

A saída do Brasil, chegada no aeroporto e no hotel

Saímos do Brasil pelo Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, no dia 30 de outubro pela companhia aérea Copa Airlines. Fizemos escala no Panamá em uma viagem que durou aproximadamente sete horas. Durante o voo, foram servidas refeição e bebidas. Fiquei a maior parte do tempo assistindo filmes e escutando música, mas inevitavelmente tiveram alguns momentos em que sentia que estava cansada do voo e de ficar sentada tanto tempo.

Quando chegamos a Panamá, ficamos cerca de 30/40 minutos esperando para pegar o próximo voo e irmos, finalmente, para o México. O voo entre os dois países demorou cerca de 3 horas, resultando em um voo perto de dez horas desde o Brasil até a Cidade do México.

Chegamos no Aeroporto Internacional da Cidade do México — Benito Juárez na madrugada, e por ser um horário de menor movimento, não havia fila de imigração. A oficial do aeroporto revistou minha mala e a liberou rapidamente. Ela também perguntou se era a primeira vez que visitava o país e examinou meu passaporte. O processo foi breve e não chegou a durar mais do que cinco minutos.

Logo pegamos o táxi até o hotel em que ficamos hospedadas, que era uma distância de mais ou menos vinte minutos. Eu lembro de ver os lugares e mesmo à noite, era tudo tão lindo, eu realmente não estava acreditando que estava ali. 

Enfim, chegamos ao hotel e a primeira aventura começou ali: o pacote que a minha mãe fez incluía as passagens e a hospedagem, porém nós não tínhamos visto fotos de como era o hotel. Então quando chegamos lá, vimos que era um daqueles antigos, que não tinha nem Wi-Fi, por exemplo. Minha mãe até cogitou em trocar, mas acabamos ficando nesse mesmo, já que ficaríamos a maior parte do tempo na rua e não havia a necessidade em ficarmos em outro.

No outro dia fomos tomar café e descobri que no México eles comem feijão doce no café da manhã. Eu lembro de comer uma vez, mas não gostei. Depois do café, fomos andar pelas ruas  — inclusive, o que mais fizemos naqueles dias foi andar — e por não termos feito rotas específicas e nem contratamos guia turístico, ficamos andando aleatoriamente para passear e conhecer lojas, lugares turísticos da região e etc..

Pontos turísticos da Cidade do México

Um dos primeiros lugares que eu visitei foi o Zócalo e ali eu tive a certeza que que realmente estava no México, porque até então ainda não tinha caído a minha ficha. E por ser em época de Halloween e Dia dos Mortos, a maioria das pessoas andavam fantasiadas nas ruas e com os rostos pintados de caveira mexicana e outros desenhos. Era lindo de ver, principalmente as crianças fantasias e felizes.

Criança fantasiada para o Halloween

Os lugares estavam decorados com as famosas oferendas aos mortos e fotos de pessoas famosas que já morreram. No mesmo dia, pegamos um ônibus e fomos até a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e é tudo tão lindo — e enorme! —, com as tradicionais imagens de santos e da própria Nossa Senhora, além das construções monumentais. A Basílica tem uma igreja, o templo e um espaço a aberto em que é possível ver quase a cidade toda. 

Uma das oferendas para os mortos

Eu também fui ao famoso Teatro Metropolitan, porque a cantora Maite Perroni — ex RBD — faria um show no local na mesma época em que eu estaria na cidade. Fui comprar a entrada e uns dias depois fui novamente para conhecê-la, já que ela ia autografar os ingressos e tirar fotos com os fãs. Na mesma semana, voltei ao Teatro para o show. E foi incrível ver um concerto em outro país, mesmo que a energia dos fãs seja completamente diferente (Vamos combinar que somos os melhores, né?).  

Outro ponto turístico da capital que eu visitei foi o Castelo de Chapultepec, que fica dentro do Bosque Chapultepec. Eu gosto muito de museus e nem preciso dizer que fiquei encantada com toda a história que o local proporciona. O Castelo conta com móveis, obras de arte e objetos da época do final do século XVIII, em que o então rei da Nova Espanha, Bernardo de Gálvez, morou com sua família. Além do museu, o jardim da casa e toda área externa foram o que mais me chamou a atenção, pela beleza do lugar e também porque é possível ver praticamente toda a Cidade do México.

No mesmo dia em que fui ao Castelo de Chapultepec, eu também passei pela praça em que está localizado o Anjo da Independência. Ir até o monumento era outro sonho que queria realizar, e como não sabíamos onde ele estava localizado, ainda demoramos uns dois dias para ir até ele. Lembro que pedimos informações para uma mulher sobre onde estava localizada a estátua e ela respondeu que estava em reforma. Logo, eu e a minha mãe deduzimos que estavam reformando a estátua. Quando chegamos ao Anjo, descobrimos que a rua chama Paseo de la Reforma. 

Foi uma emoção muito muito grande em vê-lo, porque a imagem dele ficou guardada na minha cabeça por causa das novelas que assisti durante a vida em que sempre era mostrado o Anjo. Este foi outro momento que eu realmente senti que estava mesmo no México. Cheguei a cogitar subir a torre para chegar até o topo da estátua, mas a guarda que estava na rua no momento me disse que não era permitido ir até lá.

Depois daquele dia, ainda voltei outras vezes para a rua onde está o Anjo e passava horas sentada na praça admirando-o.

No dia 2 de novembro, Dia dos Mortos, resolvemos ir até Coyoacán porque nos falaram que a comemoração era mais bonita naquela região. Então, pegamos o metrô na Estação Hidalgo — que era a mais próxima do hotel em que estávamos hospedadas —, e descemos na Estação Coyoacán. Passamos o dia no local e a comemoração era muito linda com todos fantasiados e foi interessante ver a diferença que é no Brasil, porque aqui nós não celebramos Para nós, é uma data em que muitas pessoas ficam melancólicas e vão até o cemitério levar flores para a pessoa querida que morreu.

No mesmo dia fomos ao Museu da Frida Kahlo, que fica na mesma área. A famosa Casa Azul é a casa onde a Frida morou durante a vida até morrer. A residência dela contém objetos, obras de arte que ela pintou, os móveis e etc. Eu sabia quem era a Frida e um pouco da história dela, mas é uma vivência muito especial estar ali onde ela viveu e construiu todo seu trabalho. 

Não foi possível tirar fotos dentro do museu porque era necessário pagar uma taxa, além do que já tinha sido paga para a entrada, e não tivemos desejo de tirar fotos de tudo a ponto de pagar essa taxa. Quem tiver interesse em ir até o Museu, é preciso ir com tempo e estar disposto a passar algumas horas na fila, pois provavelmente a Casa Azul é um dos principais lugares que os turistas vão quando estão no país. 

Assim que saímos do Museu, eu e a minha mãe decidimos aproveitar que ainda estava cedo e fomos até Xochimilco por causa das famosas traineiras, em estilo gôndolas, conhecidas como Veneza Mexicana. A traineira é linda, toda colorida, com nomes diversificados e como dentro delas tem uma mesa, é possível comer, beber e fazer uma reunião com amigos durante o trajeto. O passeio durou em torno de uma hora, e por ser fim de tarde no domingo, só tínhamos nós duas e mais umas três pessoas para fazer o passeio.

Um dos últimos passeios que foi feito foi para as Pirâmides de Teotihuacán. Ainda no Brasil, a minha mãe reservou um passeio de voo de balão sobre elas — como eu tenho medo de altura, não fui junto. Um dos responsáveis pelo voo nos buscou no hotel às 5h, porque é uma distância de 30 minutos/1 hora de viagem até Teotihuacán.

Depois do voo, fomos até as pirâmides e elas são altas demais. Teotihuacán tem várias, mas as principais são as do Sol e da Lua. Um fato curioso é que um homem nos disse que até aquela época — e imagino que até hoje ainda — são feitos estudos para saberem como os astecas levaram as pedras para construírem, porque o local é alto e íngreme.

Comidas típicas do México

As comidas foram outra aventura, já que mexicanos colocam muita pimenta em tudo o que eles fazem — e eu odeio pimenta. A primeira vez que eu fui em um restaurante, não consegui nem terminar de comer o prato de tão forte que estava. Logo veio a preocupação: O que vou comer nesse lugar se tudo é picante?

Fiquei uns dois dias me forçando a comer as comidas, mas minha salvação foi descobrir as barraquinhas de rua com as comidas típicas, mas com opções sem pimenta, como era o caso da quesadilla de frango — que eu passei a comer praticamente todos os dias e era uma delícia. Para mim foi uma felicidade porque eu comia bem e ainda pagava bem menos do que se comesse em restaurante todos os dias. 

Alguns dias depois, eu e minha mãe descobrimos um restaurante simples que servia almoço perto do hotel em que estávamos hospedadas e passamos a almoçar lá todos os dias. Eu lembro que o cardápio era um arroz vermelho, conhecido lá como arroz rojo — que é muito bom, por sinal —, frango assado e salada.

Um dia engraçado foi quando a minha mãe comprou guacamole — e, ao contrário de mim, ela ama pimenta —, mas estava tão forte que nem ela aguentou comer tudo.

No dia do voo de balão, nós tomamos café em um restaurante na região e pela primeira vez eu vi uma quesadilla com a massa verde — normalmente ela é branca. Até o gosto é diferente e, pessoalmente, eu prefiro a quesadilla branca. A mudança de cor da massa se dá por conta do milho, já que na América Latina existem diversos tipos de cores do alimento.

Algumas coisas que aconteceram durante a viagem para o México

Além dos passeios tradicionais que eu já falei acima, também fui no Museu de Cera e foi uma surpresa descobrir que existia um museu desses, já que eu sempre achei que só existisse em países das Europa ou dos Estados Unidos. Alguns dos homenageados são Barack Obama, com sua esposa, Michelle Obama; a ex-presidente Dilma Rousseff; e claro que não poderia faltar o Chaves com seu barril. 

Na época em que fui para a Cidade do México, tinha acontecido há pouco tempo o desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa. Em um dos dias em que estava andando pelas ruas, havia uma manifestação das pessoas pedindo justiça e a devolução dos meninos pelo Estado, com gritos de “vivos foram levados, vivos os queremos”. 

Tanto que quando chegamos ao hotel e ligamos a televisão, estavam transmitindo esse mesmo protesto.

Dinheiro do México

Sobre o dinheiro que usamos lá, a minha mãe trocou em uma Casa de Câmbio no aeroporto aqui no Brasil, mas durante a viagem foi preciso trocar a outra parte que nós tínhamos e tivemos que ir até o Aeroporto da Cidade do México para trocar essa quantia. O processo foi bem simples e rápido e pudemos continuar os passeios tranquilamente. 

Falando em dinheiro, o peso mexicano é muito desvalorizado. As coisas que nós compramos — comida, presentes, objetos e etc — foram muito mais baratas se tivéssemos usado no Brasil. Pelo menos era assim na época em que fomos, não sei como está agora, mas acredito que não tenha mudado muito. 

Opiniões pessoais sobre a viagem 

Como pessoa que sempre teve vontade de conhecer o país, a Cidade do México é tudo o que eu imaginava e via nas fotos da internet e nas novelas que acompanhava. Me lembrou muito São Paulo e Poços de Caldas, em Minas Gerais. A cidade é linda — pelo menos a parte em que nós ficamos, que claramente deve ser uma região valorizada por causa do turismo, principalmente. Mas eu fiquei muito encantada com tudo que conheci. 

Outro ponto é sobre o transporte público: os ônibus são menores do que o que estou acostumada em São Paulo e o metrô me lembrou a Estação da Sé em horário de pico, por causa da quantidade de gente. E o metrô de São Paulo é melhor conservado do que o do México. 

Além disso, achei os mexicanos super solícitos, nos ajudando no que podiam quando tínhamos dúvida sobre caminhos e foram muito receptivos.  

Como toda grande metrópole, com certeza a cidade tem seus problemas, mas enquanto estivemos lá, não aconteceu nada fora do esperado e foi uma experiência incrível. Assim que possível, quero voltar lá e aproveitar mais os lugares. E quem tiver vontade de conhecer a capital ou outras partes do México, eu recomendo muito o passeio porque é uma vivência enriquecedora. 

Para outros textos sobre a experiência nos nossos países vizinhos ou qualquer outro assunto como cultura, história, política fique ligado no Exclamación.

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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