Libertação da América, parte 1: Simón Bolívar

 Como sabemos, a América do Sul foi colônia da Europa por muitos anos e a Libertação da América foi uma série de campanhas militares que aconteceram sob a liderança de Simón Bolívar para a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

A Libertação da América ocorreu entre 1820 e 1826. Após a independência da Venezuela, Simón Bolívar decidiu lutar pela emancipação dos povos ao sul da Venezuela. Isso só aconteceu a partir de batalhas, ataques e outros eventos que são conhecidos como Campanhas do Sul.

Neste texto, abordaremos sobre a liderança de Simón Bolívar para a Libertação da América. Leia o artigo a seguir!

Quem foi Simón Bolívar? 

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco, mais conhecido como Simón Bolívar, foi um militar e líder político venezuelano. Nasceu em Caracas, capital da Venezuela. 

De ascendência criolla, ou seja, descendente de espanhóis nascidos na América, desde pequeno se interessava pelo fim da escravidão e considerava a América do Sul uma nação mestiça e não uma extensão da Espanha.  

Ficou órfão muito cedo, perdendo seu pai aos 3 anos, e a mãe, aos 9. Na pré-adolescência conheceu dois professores que o influenciaram no ideal de libertação. Aos 14 anos, viajou para a Europa onde estudou sobre os autores iluministas, responsáveis por influenciar na Revolução Francesa. 

Na Espanha, casou-se com María Teresa Rodríguez del Toro y Alayza, e, juntos, voltaram para a Venezuela. Alguns anos depois, Maria Teresa morre em decorrência da febre amarela. Após este fato, Bolívar decide retornar à Europa, quando faz o famoso juramento que não descansaria até libertar toda a América do domínio espanhol. 

Essa promessa ficou conhecida como Juramento do Monte Sacro, porque o compromisso foi feito neste local. Em 1807, Bolívar regressou à Venezuela e organizou um exército, iniciando sua luta pela libertação, usando parte da herança da família para tal ato. 

A partir daí, Simón Bolívar encabeça diversas lutas para a conquista de seu grande ideal, o que foi um grande feito, libertando diversas regiões e estabelecendo, em 1819, a Grã Colômbia — ou Grande Colômbia —, que correspondia aos atuais territórios de Colômbia, Panamá, Venezuela e parte do Equador. O líder também libertou Peru e Bolívia. 

Com a independência da Grande Colômbia, Simón Bolívar foi decretado presidente da recém-proclamada república, ficando no poder entre 1819 a 1830. Porém sua imagem e a própria Grande Colômbia foram ficando enfraquecidas pelas medidas adotadas, que eram mais centralizadoras, o que não foi bem aceito por parte da população. 

Bolívar renunciou à presidência em 1830. No mesmo ano contraiu uma tuberculose e morreu em 1º de dezembro.

Independência da Venezuela

Antes de falar da Libertação da América, é preciso voltar um pouco atrás na história para a independência da Venezuela, que deu início a tudo o que veio posteriormente. 

A libertação da Venezuela aconteceu em 5 de julho de 1811, a partir das lutas de Francisco de Miranda, um militar de Caracas, e de Simón Bolívar. A Venezuela foi o primeiro país da América do Sul a conquistar a independência da Europa. 

Francisco de Miranda lutou pela independência dos Estados Unidos. No final do século XVIII, Miranda viajou para diversas cortes europeias com o objetivo de buscar apoio para a emancipação da América do Sul. Durante sua passagem pela Europa, esteve nas batalhas da Revolução Francesa, entre 1791 e 1792. 

Uns anos depois, em 1793, fundou um grupo chamado Logia Gran Reunión Americana, com o propósito de reunir pessoas para as lutas pela independência da América do Sul. Dessa turma, Miranda conheceu Simón Bolívar, futuramente tornando-se seu companheiro de batalhas. 

Bolívar, por sua vez, tinha o objetivo de “dar vida aos moribundos, soltura aos oprimidos e liberdade a todos”. 

Já em Caracas, em 1810, Miranda, Bolívar e outros revolucionários instauraram uma Junta Patriótica. Após algumas discussões, a Junta Patriótica convenceu praticamente todos os congressistas a declararem a independência da Venezuela, em 5 de julho de 1811. Este fato ficou marcado como a fundação do Estado venezuelano. 

Assinatura da Ata da independência da Venezuela

Francisco de Miranda recebeu de Bolívar o convite para assumir o exército venezuelano, porém Miranda foi visto como um ditador e a reação da Espanha foi violenta, obrigando o novo comandante a renunciar do cargo, em julho de 1812. 

 Os venezuelanos viram em Miranda um traidor, prendendo e entregando-o para a Espanha, onde foi preso e morto, em 1816. Por alguns meses, a Coroa Espanhola retomou o controle da Capitania Geral da Venezuela, porém Simón Bolívar retornou da Colômbia invadindo o território venezuelano e tomou Caracas. 

Em 24 de junho de 1821, após a Batalha de Carabobo, a independência da Venezuela é consolidada.  

Grande Colômbia

A Grande Colômbia foi o nome historiográfico dado a um país desaparecido na América do Sul, criado pela reunião do congresso na cidade de Angostura — localizada na Patagônia Argentina —, por meio da Lei Fundamental da República. O termo Grande Colômbia é usado pela historiografia para diferenciá-la da atual República da Colômbia.

Esta república existiu legalmente entre 1821 e 1831 e foi formada a partir da união das entidades administrativas anteriores do Vice-Reino de Nova Granada, da Capitania Geral da Venezuela, da Corte Real de Quito e do Governo de Guayaquil. 

Sua superfície correspondia aos territórios das atuais repúblicas da Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela — incluindo Guayana Esequiba, em uma reivindicação da Guiana-Venezuelana —, e outros territórios que passaram ao Brasil, Peru, Nicarágua e Honduras por acordos internacionais celebrados entre esses países e as repúblicas que emergiram da dissolução gran-colombiana.

Na época de sua criação, a Grande Colômbia era o país hispano-americano de maior prestígio internacional, tanto que diversos políticos da Europa e da América, incluindo John Quincy Adams, então Secretário de Estado e futuro presidente dos Estados Unidos, viram como uma das nações mais poderosas do planeta. 

Esse prestígio, somado à figura de Bolívar, atraiu para a nação as idéias sindicalistas de movimentos de independência de Cuba, República Dominicana e Porto Rico, que buscavam formar um estado associado à república.

A criação da Grande Colômbia aconteceu em dezembro de 1819, após uma série de vitórias de Simón Bolívar junto dos generais Urdaneta, Piar, Páez, Mariño, Nariño, Monagas sobre os monarquistas.

Porém, ainda aconteceram outras batalhas para libertar outras regiões, como do Panamá. A independência desse país aconteceu em 28 de novembro de 1821. 

A resistência da Espanha no continente acabou no Peru com a Batalha de Ayacucho, em 9 de dezembro de 1824, na qual Antonio José de Sucre foi consagrado definitivamente como herói. Todo o poder espanhol no Vice-Reino de Nova Granada e no Peru foi afundado sob os golpes de Bolívar,  Francisco de Miranda e Antonio José de Sucre.

Países que mostraram intenção em unir-se à Grande Colômbia 

Um dos primeiros países a se juntar à Grande Colômbia foi o Panamá, que após sua independência, em 28 de novembro de 1821. No mesmo ato da emancipação, o Panamá afirma sua intenção em soberana e voluntária de ingressar na Colômbia. 

Quando Bolívar ficou sabendo da Independência do Panamá, enviou ao Coronel de Fábrega a conhecida mensagem: “O Ato de Independência do Panamá é o monumento mais glorioso que qualquer província americana pode oferecer à história. Lá se consulta tudo, justiça, generosidade, política e interesse geral”.

Outros países que mostraram suas vontades em entrar para a Grande Colômbia foram o Haiti espanhol, Cuba e Porto Rico. 

O Haiti espanhol teve sua independência proclamada em 30 de novembro de 1821, quando alguns dominicanos liderados por José Núñez de Cáceres proclamaram pacificamente a independência da Capitania Geral de Santo Domingo sob o nome de Estado Independente do Haiti espanhol. 

Núñez, que apoiava a causa de Bolívar e temia uma possível invasão haitiana, estipulou no ato constitutivo do recém-criado Estado que ele faria parte da República da Colômbia.

Devido ao pouco apoio internacional e à luta interna para se unificar com o Haiti ou permanecer um estado completamente independente, apenas nove semanas após Núñez declarar independência, as forças militares haitianas lideradas por Jean Pierre Boyer ocuparam o país, decretando sua anexação formal.

Os cubanos, por sua vez, no mesmo ano de 1821, criaram a sociedade secreta “Soles y Rayos de Bolívar”, cujo objetivo principal era alcançar a independência do país e criar um estado associado ao continente, seja Colômbia ou México. A iniciativa ganhou maior importância quando em 1823 José Francisco Lemus, um dos dirigentes da sociedade secreta, proclamou a criação do Estado Independente de Cubanacán como consequência e rejeição de uma suposta venda da ilha ao Império Britânico.

O projeto fracassou em 18 de agosto de 1823, quando um oficial da gráfica onde foram emitidas as proclamações revolucionárias as denunciou às autoridades espanholas, após o que todos os seus membros foram julgados e exilados.

Já os porto-riquenhos também criaram seu movimento de independência com vistas a uma união associativa com a Colômbia. O general Antonio Valero de Bernabé fez amizade com os conspiradores de “Soles y Rayos de Bolívar” e por volta de 1823 desenvolveu com eles um plano para a independência de Porto Rico e sua subseqüente adesão à Grande Colômbia sob o nome de Estado Independente de Borinquen.

Para obter o apoio de Simón Bolívar, Valero partiu para a costa venezuelana junto com outros patriotas antilhanos. Ao chegarem ao destino, Santander os informou dos planos de Bolívar a respeito do Peru. 

Valero, que também compartilhava de ideias emancipatórias com Bolívar, alistou-se no exército da Grande Colômbia com o posto de general de brigada e participou da batalha de Ayacucho em 9 de dezembro de 1824, após a qual reviveu o plano porto-riquenho de independência. 

No entanto, o Defesa dos Estados Unidos da condição de Cuba e Porto Rico como colônias espanholas para garantir a independência hispano-americana, a ausência de forças organizadas no interior da ilha, as dificuldades que a Grande Colômbia vivia na época e a consequente morte de Bolívar em 1830 impediram a execução do plano e Valero desistiu.

Fim da Grande Colômbia

A partir de 1830, em meio às separações do Equador, Panamá e da Venezuela, a desintegração da Grande Colômbia e suas estruturas políticas foi precipitada. Nasceu como consequência o Estado do Equador e o Estado da Venezuela.

O Panamá permaneceu sob governos militares ditatoriais que não conseguiram organizar as instituições básicas de um Estado, enquanto nos departamentos centrais da Grande Colômbia, o descontentamento dos grupos militares e liberais aumentou e levou à ditadura do general Rafael Urdaneta, que aconteceu entre 5 de setembro de 1830 a 3 de maio de 1831.

Por meio do Acordo Apulo, realizado em 28 de abril de 1831, o general Rafael Urdaneta entregou o comando da desmembrada Grande Colômbia a Domingo Caicedo. Este o presidiu até 21 de novembro de 1831, quando foi legalmente abolido.

Em 7 de maio de 1831, uma convenção foi convocada nos departamentos centrais da extinta Grande Colômbia, na qual se reuniram representantes de Cundinamarca, Cauca, Antioquia, Istmo — Panamá —, Magdalena e Boyacá. 

Eles deveriam se reunir em Bogotá em 15 de outubro. O Panamá aderiu à iniciativa após a queda do regime ditatorial no final de agosto de 1831.

O objetivo dessa convenção era chegar a um acordo sobre uma nova forma de organização política para os departamentos centrais da extinta Grande Colômbia e eleger os magistrados que deveriam governá-la.

Na reunião celebrada em 20 de outubro de 1831, foi criado o Estado de Nova Granada, que com a Constituição de 1832 seria oficialmente denominado República de Nova Granada, sendo Francisco de Paula Santander seu primeiro presidente.

As campanhas do Sul para a libertação da América

Enquanto existia a Grande Colômbia, também surgiram as Campanhas do Sul, que consistia em uma série de campanhas militares que a Grande Colômbia gerou com objetivo de libertar a América do Sul e torná-la independente da Espanha. 

Os fatos que abrangem as Campanhas do Sul variam de acordo com o autor. Alguns acreditam que essas campanhas foram as de Quito e Pasto nos anos 1820 e 1822, outros dizem que são todas aquelas operações militares que foram realizadas na Grande Colômbia de 1821 a 1826. 

Quando a Venezuela se tornou independente, o Congresso de Cúcuta concedeu a Bolívar a presidência da Colômbia. No entanto, Bolívar decide que sua luta não terminou com a independência da Venezuela e deseja obter a liberdade dos demais povos sul-americanos. 

Por isso, confia a vice-presidência da Venezuela a Carlos Soublette e nomeia o Santander como presidente da República da Colômbia. Dando início às campanhas do Sul.

Os principais acontecimentos das campanhas do Sul foram:

  • Campanha de Quito: Campanha de Quito: Após a revolução de 9 de outubro de 1820, Guayaquil tornou-se um estado independente denominado Província Livre de Guayaquil, mas logo enfrentou uma delicada situação militar após ser derrotado na Primeira Batalha de Huachi e na Batalha de Tanizagua. 

José Joaquín Olmedo solicitou ajuda militar da Grande Colômbia para defender Guayaquil e libertar a Corte Real de Quito. Em 1821, Bolívar respondeu ao pedido de Olmedo e enviou o general Antonio José de Sucre a Guayaquil. Em 6 de maio de 1821, Sucre chegou à cidade com cerca de 650 soldados colombianos que se juntaram aos 1.400 soldados equatorianos.

Sucre tinha as seguintes funções: assumir o comando das tropas em Guayaquil, incorporar a província à Colômbia e preparar junto com Bolívar as operações de libertação de Quito. Sucre enviou pequenos destacamentos em diferentes direções a fim de desinformar os monarquistas sobre a rota que suas tropas tomariam ao embarcar em Guayaquil e zarpar com destino a Machala. 

Com a autorização de Bolívar, Sucre e seu exército avançaram em direção a Alausi. Em 24 de maio de 1822, ele enfrentou o exército monarquista na Batalha de Pichincha e obteve a vitória, como resultado, Quito foi ocupado pelo Exército de Libertação. Poucos dias depois, em 29 de maio, é proclamada a integração da antiga Audiência Real de Quito na Colômbia.

  • Anexação e entrevista de Guayaquil: ao final da campanha de independência do Equador, Quito e as demais províncias teriam sido anexadas à República da Colômbia, exceto Guayaquil, que desde 1820 havia se estabelecido como província livre. 

Em Guayaquil, as opiniões estavam divididas, alguns queriam anexar o Peru, outros à Colômbia e os demais defendiam sua posição de província livre. Tanto San Martín quanto Bolívar queriam que Guayaquil anexasse seus estados. 

Bolívar e San Martín se reuniram em 26 de julho de 1822, onde se presume que discutiram a soberania de Guayaquil e a guerra no Peru. Portanto, Bolívar decidiu ocupar militarmente a cidade e em 31 de julho de 1822, foi proclamada a anexação de Guayaquil à Colômbia.

  • Campanhas no Peru: depois das campanhas emancipatórias de José de San Martín no sul no final de 1810, a situação na região era preocupante: os conflitos entre as Províncias Unidas del Río de la Plata e Buenos Aires e os caudilhos aumentavam.

O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve iniciaram uma forte política expansionista na região, colocando em risco a independência americana.

No Peru, San Martín buscava uma solução política para a guerra com a coroação de um príncipe europeu na América, mas as lutas pelo poder entre os caudilhos, as ambições políticas da oligarquia e o poderoso exército espanhol presente no país, foi prestes a dar lugar à maior das anarquias.

  • Chegada de Bolívar: Bolívar chegou a Lima em 10 de setembro de 1823, em meio a grandes comemorações, o Congresso peruano o nomeou Diretor Supremo de Guerra. Simultaneamente, reforços colombianos chegaram a Callao.
  • Rebelião das forças argentinas: em 5 de fevereiro de 1824, motivados pelos atrasos nos pagamentos, os soldados do Regimento Río de la Plata, junto com algumas unidades chilenas e peruanas, se rebelaram em El Callao. 

Eles capturaram seus oficiais e libertaram o monarquista espanhol Coronel José de Casariego, concedendo-lhe o comando de suas forças.

Posteriormente, parte dos granadeiros a cavalo aderiram à rebelião de Lurín, os demais discordaram da ação tomada e decidiram ingressar no exército do Libertador, formando um pelotão que lutou nas batalhas de Junín e Ayacucho, voltando finalmente a Buenos Aires.

Depois de todas essas batalhas, as Campanhas do Sul tiveram sua missão cumprida: libertaram os povos da América do Sul, a partir da independência do Equador, Peru e o Alto Peru, conhecido hoje como Bolívia. 

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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