Milhares de argentinos marcharam em defesa da universidade pública em 23 de abril por todo o país, protestando contra os cortes orçamentários propostos pelo presidente ultraliberal Javier Milei. A Marcha Universitária Federal reuniu cerca de 500.000 pessoas, segundo estimativas da Universidade de Buenos Aires.
A decisão do Executivo de prorrogar o Orçamento de 2023, sem considerar a alta inflação, desencadeou a crise, levando as autoridades das universidades a exigirem uma atualização das verbas. Milei adotou uma postura confrontativa, o que culminou na marcha massiva.
Além da capital federal, cidades como Córdoba, Rosário e Mar del Plata também foram palco de manifestações. No total, 14 províncias argentinas se mobilizaram.
A situação das universidades públicas na Argentina
Hoje, a Argentina possui 57 universidades nacionais de gestão estatal, que são herdeiras da Lei 240 de 1884. Essa legislação foi um marco na história educacional argentina, estabelecendo as bases para um sistema universitário acessível a todos os cidadãos, independentemente de sua origem socioeconômica.
A garantia da gratuidade da educação até o nível universitário é vista como um direito fundamental pelos argentinos, incorporado ao tecido social e cultural da nação. Essa política reflete o compromisso do Estado em proporcionar oportunidades iguais de acesso à educação superior, contribuindo para a redução das desigualdades sociais e econômicas e para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Isso significa que a defesa da educação pública e gratuita na Argentina não é apenas uma questão política ou econômica, mas também uma questão de identidade nacional e de compromisso com os valores democráticos e igualitários que moldam a sociedade argentina.
Crise orçamentária nas universidades
Em entrevista para o La Nación +, o reitor da Universidad de San Luis, Victor Moriñigo, afirmou que “das quatro categorias de professor, três estão abaixo da linha da pobreza”.
Ainda com essa situação, o presidente Javier Milei anunciou que manteria a mesma previsão orçamentária para as universidades de 2023, desconsiderando que a inflação acumulada para 2024 chega a 290%. Com isso, as instituições educativas declararam emergência financeira.
Isso impacta diretamente os professores, uma vez que os salários representam 90% do orçamento universitário.
Com a dificuldade financeira enfrentada, a Universidade de Buenos Aires (UBA), considerada uma das melhores da América Latina, se viu obrigada a limitar os horários da biblioteca, desligar as luzes em áreas comuns e reduzir o uso de água quente.
Frente aos primeiros sinais de manifestação, em março, foi liberado um aumento de 70% em março e outro em maio para o orçamento das universidades. Porém, os dirigentes da UBA consideram o valor insuficiente, o que desencadeou na ida para as ruas e mobilização nacional do povo argentino.
Símbolo das manifestações argentinas
A artista Pilar Dibujito disponibilizou gratuitamente a arte abaixo para que ela seja utilizada nas manifestações da causa das universidades argentinas.
