A Ditadura Militar de Fulgencio Batista em Cuba

Cuba foi mais um país hispano a sofrer um golpe ditatorial militar, que aconteceu entre os anos de 1952 e 1959. A queda do ditador Fulgencio Batista foi causada, entre outros motivos, pela Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro.

Contudo, para chegar neste assunto, é necessário entender o contexto e como ocorreu a ditadura militar em Cuba.

Antecedentes da ditadura 

Para saber como foi o golpe militar, primeiro é preciso conhecer como era Cuba antes do governo de Batista. 

No final do século XIX, Cuba se torna independente da Espanha, porém, como a ilha era a maior produtora de tabaco e cana-de-açúcar do mundo, logo os Estados Unidos intervieram para se aproveitar desse fato. 

Com a independência dos Estados Unidos, os estadunidenses foram até Havana para “ajudar” Cuba a ser independente da Espanha. A partir daí, os norte-americanos se apropriaram da economia do país cubano. 

Já no século XX, Cuba era um país muito desigual: a maior parte da população era pobre e analfabeta, além de passar fome, sofrer com doenças e ganhar salários baixíssimos nas plantações. 

Não bastava controlar economicamente, os Estados Unidos comandavam até a política de Cuba, já que uma emenda da Constituição Cubana foi criada pelo senador estadunidense Orville Hitchcock Platt, em 1901.

Nessa emenda, chamada de Emenda Platt, ficava permitida a intervenção militar na ilha.  

Com isso, ficou conhecido o regime de política do “Big Stick”, ou seja, era uma referência feita pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, por sua forma de resolver conflitos diplomáticos. 

Em um discurso feito, o então presidente estadunidense afirmou que “com fala macia e um grande porrete, você vai longe”, referindo-se aos países sul-americanos, que na época estavam assolados pelas dívidas com a Europa. 

Posteriormente, foi criada a base militar de Guantánamo, ao sul de Cuba, como um acordo entre os ex-presidentes dos EUA, Theodore Roosevelt, e de Cuba, Tomás Estrada Palma.

Essa base é alugada até os dias de hoje pelos Estados Unidos, pelo valor de 4 mil dólares. E, desde 2001, o governo estadunidense usa desse local para deter supostos prisioneiros terroristas.  

Primeiro mandato de Fulgencio Batista

Batista ficou conhecido após o golpe denominado como Revolta dos Sargentos de 1933 — conflito armado liderado por uma fração rebelde do Exército, em Havana, comandado pelo então sargento Fulgencio Batista, com a intenção de destituir o governo provisório de Carlos Manuel de Céspedes y Quesada. 

Assim, Batista nomeou-se chefe das Forças Armadas com o posto de coronel e estabeleceu uma junta governante conhecida como Pentarquia.

Manteve o controle de diversos presidentes provisórios entre 1934 e 1940, quando o então presidente Federico Laredo Bru decide renunciar em 1940. Com isso, Batista concorreu como candidato pela Coalizão Socialista-Democrata nas eleições de 1940, sendo eleito presidente, inaugurando seu mandato em 10 de outubro de 1940. 

Alguns ministros do Partido Socialista Popular participaram do governo. Em 8 de junho do mesmo ano, foi aprovada uma nova Constituição, que introduziu o semiparlamentarismo na prática política cubana: o presidente foi eleito por sufrágio universal para um mandato de quatro anos; além disso, impulsionou a intervenção governamental na economia e introduziu uma rede de seguridade social. 

A indústria açucareira foi gravemente afetada pela deterioração das relações entre Cuba e os Estados Unidos durante o ano de 1939, embora o novo tratado firmado em 27 de dezembro de 1939 melhorasse a situação ao restabelecer o sistema de cotas para esta indústria.

Durante seu primeiro mandato, Batista cooperou na Segunda Guerra Mundial com os aliados e declarou guerra ao Império Japonês, Alemanha e Itália. Em 1944, novas eleições foram convocadas e Ramón Grau San Martín foi eleito presidente.

Em 1944, o candidato escolhido por Batista para ser seu sucessor, Carlos Saladrigas Zayas, havia sido derrotado por Grau. Batista dedicou os primeiros meses do novo governo a ferir o governo Grau, fato notado pelo então embaixador dos Estados Unidos, Spruille Braden, que escreveu que Batista estava causando problemas para Grau, principalmente em relação à economia do país.

Após a vitória de Grau, Batista foi para os Estados Unidos, afirmando que lá se sentiria mais seguro. Pelos próximos oito anos, Batista alternou entre morar no Waldorf Astoria em Nova York e uma casa em Daytona Beach, Flórida.

Continuou a participar, à distância, da política cubana, e foi eleito ao Senado cubano à revelia em 1948. Ao retornar a seu país, decidiu concorrer às eleições presidenciais, recebendo autorização do presidente Grau para fundar a Ação Unitária Festa.

Posteriormente, fundou o Partido da Ação Progressista, embora depois de sua primeira presidência nunca tenha recuperado seu antigo apoio popular, mas manteve o dos sindicatos até o fim. O presidente eleito em 1948 foi Carlos Prío Socarrás.

Como ocorreu o golpe militar em Cuba

O governo de Carlos Prío Socarrás estava comprometido com uma regra marcada pela civilidade, principalmente no que diz respeito à liberdade de expressão. Vários projetos de obras públicas e o estabelecimento de um Banco Nacional e Tribunal de Contas contam entre seus sucessos.

Carlos Prío Socarrás

No entanto, a violência entre facções políticas e relatos de roubo e auto-enriquecimento nas fileiras do governo prejudicaram o mandato de Prío, que passou a ser percebido cada vez mais pelo público como ineficaz diante da violência e da corrupção, assim como o governo Grau antes dele.

Durante o governo de Prío, Fulgencio Batista voltou a Cuba para se candidatar às eleições, que aconteceriam em junho de 1952. Entretanto, algumas pesquisas colocavam Batista em terceiro lugar, atrás de Roberto Agramonte, do Partido Ortodoxo e Carlos Hevia da Authentic Party.

Com a eleição marcada, surgiram rumores de um golpe militar planejado pelo candidato presidencial de longa data, Fulgencio Batista. Prío, não vendo base constitucional para agir, não o fez. Os rumores provaram ser verdadeiros e o exército entrou em ação. 

Alguns oficiais em Matanza, Santiago de Cuba e Villa Clara não aceitaram o golpe de Estado, porém receberam ofertas de promoção e dinheiro para mudarem de ideia, o que foi aceito. 

O golpe de Batista e do exército militar aconteceu em 10 de março de 1952. O ditador deu uma série de razões pouco justificáveis, usando sua liderança nas Forças Armadas e sendo apoiado por certos setores políticos do país.

 Batista depôs Carlos Prío Socarrás, que cancelou as eleições e se impôs como “presidente provisório”. O processo do golpe não trouxe derramamento de sangue, mas atraiu a atenção e a preocupação de grande parte da população.

Com o sucesso do golpe, Carlos Prío Socarrás exilou-se nos Estados Unidos. 

O governo de Fulgencio Batista

O governo de Batista é iniciado em Cuba, sendo reconhecido pelos Estados Unidos, mesmo com as denúncias de abuso de poder, como o aumento do próprio salário, chegando a ser maior que o próprio presidente estadunidense.  

Batista também aumentou o salário das Forças Armadas e da Polícia — de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente.

Outros feitos do governo foram suspender o Congresso e entregar o poder legislativo ao Gabinete, abolir o direito à greve, restabelecer a pena de morte — proibida pela Constituição de 1940 — e suspender as garantias constitucionais.

Para legitimar seu governo, Batista organizou uma eleição fraudulenta em 1º de novembro de 1954, sendo ele mesmo candidato de uma coalizão entre o Partido da Ação Progressista, o Partido da União Radical e o Partido Liberal.

A oposição se dividiu entre os abstencionistas que eram a favor do boicote às eleições, independentemente das circunstâncias em que foram realizadas, enquanto os eleitorais buscavam certos direitos e garantias para poder participar. 

Batista usou chantagem, intimidação e fraude para ganhar as eleições a qualquer custo, fazendo com que praticamente todos os partidos políticos do país retirassem suas candidaturas e aderissem ao boicote abstencionista. 

O ex-presidente Ramón Grau San Martín fez uma breve campanha política, mas se retirou poucos dias antes das eleições, acusando Batista de fraude e alertando que seus apoiadores foram pressionados e aterrorizados. 

Fulgencio foi então eleito com 45,6% dos votos expressos, com 52,6% de comparecimento. Batista assumiu a Presidência da República em 24 de fevereiro de 1955 e restaurou a validade da Constituição de 1940.

Ao assumir o poder, o presidente herdou um país relativamente próspero para a América Latina. Embora um terço da população vivesse abaixo da linha da pobreza, Cuba era um dos países mais desenvolvidos da região. 

Na década de 1950, o PIB per capita de Cuba era quase igual ao da Itália — com base nos números do governo Batista —, embora ainda fosse um sexto do dos Estados Unidos. 

No entanto, de acordo com um estudo realizado pelo Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, entre maio de 1956 e junho de 1957, nas áreas rurais cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com telhado de guano  — estado das fezes de aves e morcegos quando estas se acumulam. Pode ser usado como um excelente fertilizante devido aos seus altos níveis de nitrogénio. O solo que é deficiente em matéria orgânica pode tornar-se mais produtivo com a adição de fezes  — e piso de terra, sem banheiros ou água corrente. 

Cerca de 90% não tinham eletricidade e aproximadamente 85% desses barracos tinham um ou dois quartos para toda a família. Apenas 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne e 2% ovos. 43% eram analfabetos.

Por outro lado, o governo Batista respeitou os direitos da indústria estadunidense e do comércio cubano, os salários dos operários industriais cubanos aumentaram significativamente. 

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, em 1958 Cuba tinha o oitavo maior salário industrial.

 Todavia, a corrupção era gigantesca e, apesar de uma série de indicadores positivos, em 1953, durante os primeiros meses da ditadura, a família cubana média tinha apenas uma renda de $6,00 por semana, de 15% a 20% da força de trabalho eram cronicamente desempregados e apenas um terço das famílias tinha água encanada.

Além disso, durante a década de 1950, Havana estava cheia de cassinos, prostituição, tráfico de drogas a serviço de organizações criminosas dos Estados Unidos, policiais corruptos e políticos eleitos de forma fraudulenta. 

Na tentativa de aproveitar esse ambiente, o ditador estabeleceu relações duradouras com o crime organizado, especialmente com mafiosos norte-americanos como Meyer Lansky e Lucky Luciano, e sob seu governo Havana passou a ser conhecida como “Las Vegas Latina”. 

Batista e Lansky tiveram uma relação comercial que durou uma década inteira, com Batista recebendo vários subornos em troca de Lansky ter o controle de cassinos e pistas de corrida em Cuba.

Fulgencio Batista também incentivou o jogo em grande escala em Havana. 

Em 1955, foi anunciado que Cuba concederia uma licença de jogo a quem investisse US$ 1 milhão em um hotel e US$ 200.000 em uma nova boate, e que o governo forneceria fundos públicos para a construção dos cassinos, um imposto isenção de dez anos, e que não seriam aplicados os direitos sobre equipamentos e móveis importados dos novos hotéis. 

Cada cassino pagaria ao governo $250.000 pela licença mais uma porcentagem dos ganhos. O governo, entretanto, contornou os controles, o que abriu as portas para investidores com fundos obtidos ilegalmente. 

Por sua vez, Meyer Lansky tornou-se uma figura proeminente nas operações de jogo cubanas e influenciou as políticas do militar em relação aos casinos. Também transformou Cuba em um porto internacional para o narcotráfico.

O governo dos Estados Unidos usou sua influência para promover os interesses e aumentar os lucros das empresas privadas americanas que dominavam a economia da ilha. 

Como um símbolo da relação comercial entre Batista e empresas americanas, a multinacional telefônica ITT Corporation deu ao ditador um telefone dourado, como forma de agradecimento pelo excessivo aumento que Batista concedeu à tarifa telefônica a pedido do governo dos Estados Unidos.

Fulgencio Batista alinhou-se com os latifundiários do país, que possuíam as maiores plantações de açúcar, consequentemente elevando a desigualdade em Cuba, deixando a economia estagnada. 

Outras características marcantes do governo ditatorial foram a repressão da imprensa e de qualquer movimento político contrário à gestão. 

A Revolução Cubana

Ernesto “Che” Guevara e Fidel Castro junto de outros militantes

Em paralelo, um grupo se uniu para derrotar o governo ditatorial, quando ocorreu um ataque ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago, em 26 de julho de 1953.

O objetivo era tomar as armas do Exército. O quartel servia como arsenal de armamentos. Uma guerrilha, liderada por Fidel Castro, juntou um pouco mais de 100 pessoas para realizar esse ataque.

O plano fracassou e Fidel Castro e o irmão, Raúl Castro, foram presos. Outros 55 guerrilheiros foram mortos, após serem brutalmente torturados pelo Exército.

 Fidel foi sentenciado a 15 anos de prisão, quando organizou sua própria defesa com a frase: “me condenem, não importa. A história me absolverá.”

Após pressão pública, o presidente cedeu e atenuou a pena de Castro, que ficou dois anos preso. Fidel e seu irmão se exilaram no México e de lá organizaram o movimento com o propósito de voltarem à Cuba para derrubar o governo de Batista. 

Fidel e Raúl se uniram a outros 80 homens, incluindo Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, para formar o grupo Movimento 26 de julho, em homenagem à data do ataque realizado contra o Quartel de Moncada. 

Em 1956, os guerrilheiros voltaram à Cuba, no barco chamado “Granma”, mas foram surpreendidos pelas tropas do exército cubano, em um ataque que resultou na morte de grande parte dos integrantes do movimento. Alguns dados dizem que apenas vinte homens sobreviveram à armadilha. 

Os sobreviventes se esconderam em Sierra Maestra, onde se reorganizaram e formaram uma nova guerrilha para dar fim ao governo. 

Entre 1956 e 1958, os guerrilheiros atacaram diversas instalações militares em cidades do interior de Cuba. Em todas as vitórias que obtiveram, roubaram armas e incluíram novos combates ao grupo, distribuindo terras aos agricultores locais. 

Dessa forma, a informação de que os combatentes que haviam desembarcado anos antes no país não estavam mortos se espalhava mais rapidamente. A partir daí, o número de seguidores de Fidel e seu grupo só aumentou, formando uma rede clandestina em toda a ilha. 

“Somos um exército de civis que voltará às nossas ocupações profissionais assim que nos livrarmos de Batista. É por isso que não admitimos um posto superior ao de comandante.” Foi assim que Castro explicou o futuro a Enrique Meneses, o primeiro jornalista que subiu à Sierra Maestra.

Em 13 de março de 1957, um grupo distinto dos revolucionários —  o Diretório Revolucionário — invadiu o Palácio Presidencial, na tentativa de assassinar Batista. O ataque, claro, não deu certo. O líder do movimento, o estudante José Antonio Echeverría, morreu em um tiroteio com as forças de Batista.

A partir disso, a guerrilha planeja diversos atentados e sabotagens contra o ditador e, em maio de 1957, captura o quartel de El Uvero, na batalha considerada por Fidel como “a maioridade” militar de seus homens. No fim do ano, o Exército tenta tomar Sierra Maestra, mas não consegue.

Em abril de 1958, uma greve geral contra Batista é convocada, porém como a guerrilha não apoiou, a ideia fracassou. Fidel anuncia “guerra total” contra Fulgêncio e as colunas rebeldes avançam em todo o território cubano.

Batista reúne 10 mil homens contra La Plata, sendo derrotado após 74 dias de batalha. 

Em novembro de 1958, acontece a guerra em Guisa. A essa altura, já são cerca de 3.000 homens juntos de Fidel Castro, número que subiria para 40 mil até a tomada em Havana. 

Ainda no mesmo ano, os Estados Unidos retira o apoio militar à ditadura, após perceber que o governo estava por ruir.

Com a vitória da guerrilha de Castro, o ditador deixa Cuba e se exila na República Dominicana, em 31 de dezembro de 1958.

Não há dados sobre o número de mortos e desaparecidos do governo ditatorial. 

Após a fuga do presidente, Cuba foi presidida provisoriamente por Anselmo Alliegro y Milá, por apenas dois dias. Posteriormente, Carlos Manuel Piedra também assumiu a presidência por dois dias. Piedra foi nomeado presidente provisório por uma junta liderada por Eulogio Cantillo de acordo com a constituição cubana de 1940. 

Nesses dois governos, Fidel foi eleito para o cargo de primeiro-ministro.

Manuel Urrutia Lleó foi escolhido presidente entre 3 de janeiro e 18 de julho de 1959, sendo demitido logo em seguida, visto a um grande descontentamento popular por causa da demissão de Fidel Castro do cargo de primeiro-ministro. 

Lleó foi substituído na presidência por Osvaldo Dorticós Torrado, que era mais leal às reformas socialistas empreendidas pela revolução.

Fulgêncio Batista morreu em 6 de agosto de 1973, após um infarto enquanto estava de férias na Espanha. 

Ele nunca foi responsabilizado pela ditadura em Cuba.

Centenas de agentes de Batista foram levados a julgamento público por violações dos direitos humanos e crimes de guerra, incluindo assassinato e tortura. A maioria dos condenados em tribunais revolucionários de crimes políticos eram executados por um pelotão de fuzilamento, e o restante recebeu longas penas de prisão.

Cuba após a ditadura e a revolução

Com o fim da ditadura e o sucesso da revolução cubana, Cuba não se viu livre dos Estados Unidos, porém o país conseguiu conquistar grandes feitos ao investir em educação e saúde, consequentemente melhorando a qualidade de vida dos cubanos. 

Desde o início, a Revolução Cubana teve que construir seu projeto de sociedade em um contexto de estado de sítio permanente, em face da crescente hostilidade dos Estados Unidos. 

Desde 1959, Cuba nunca desfrutou de um clima de paz para construir seu futuro. Em abril de 1961, Cuba teve que enfrentar a invasão armada da Baía dos Porcos organizada pela CIA, e em outubro de 1962 a ilha foi ameaçada de desintegração nuclear durante a crise dos mísseis.

Os Estados Unidos, determinados a derrubar Fidel Castro, lideram uma campanha de terrorismo contra Cuba com mais de 6.000 ataques, que mataram 3.478 civis e feriram outros 2.099. 

 Os danos materiais são estimados em vários bilhões de dólares e Cuba teve que gastar quantias astronômicas para sua segurança nacional, o que limitou o desenvolvimento de programas sociais. O próprio líder da Revolução foi vítima de 637 tentativas de assassinato.

Desde 1960, Washington impôs sanções econômicas extremamente severas, ilegais segundo o direito internacional, afetando as categorias mais vulneráveis ​​da população, a saber, mulheres, crianças e idosos. 

Este estado de sítio, condenado pela grande maioria da comunidade internacional (188 países em 192), que constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento da ilha, custou a Cuba mais de um trilhão de dólares.

Apesar de todos esses obstáculos, a Revolução Cubana é um sucesso social inegável. Ao dar prioridade aos mais deserdados com a reforma agrária e a reforma urbana, erradicar o analfabetismo, desenvolver a educação, a saúde, a cultura e o esporte, Cuba criou a sociedade mais igualitária da América Latina e do Terceiro Mundo.

De acordo com a UNESCO, Cuba tem a menor taxa de analfabetismo e a maior taxa de matrícula escolar da América Latina. 

O órgão das Nações Unidas observa que “a educação é a prioridade em Cuba há mais de 40 anos. É uma verdadeira sociedade educacional”. 

Seu relatório sobre a educação em 13 países latino-americanos coloca Cuba em primeiro lugar em todas as disciplinas. Cuba é, segundo a UNESCO, a nação do mundo que mais consagra seu orçamento à educação, com cerca de 13% do PIB.

Cuba tem uma taxa de mortalidade infantil de 4,6 por mil, ou seja, a mais baixa do continente americano, inferior à do Canadá ou dos Estados Unidos.

Também é a nação com maior número de médicos per capita do mundo, com 85.000 profissionais para 11,1 milhões de habitantes. 

Segundo o New England Journal of Medicine, o periódico médico de maior prestígio do planeta, “o sistema de saúde [de Cuba] resolveu problemas que os nossos [Estados Unidos] ainda não resolveram”. A revista destaca que “Cuba agora tem o dobro de médicos por habitante que os Estados Unidos”.

Fidel Castro foi eleito presidente de Cuba em 1976, ficando no cargo até 2008. Até hoje há muitas controvérsias sobre seu governo. Castro morreu em 2016, aos 90 anos. 

Você viu que publicamos outros textos sobre as ditaduras nos países hispanos? Não deixe de ler sobre o governo militar na Argentina.

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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