Você sabe o que foi a Guerra das Malvinas?

No começo dos anos 80 aconteceu a Guerra das Malvinas, um conflito armado ocorrido nas Ilhas Malvinas entre a Argentina e o Reino Unido. O motivo da batalha foi pelo controle de um pequeno arquipélago no Atlântico Sul.  

No dia 2 de abril completam-se 39 anos dessa guerra. Ficou interessado em saber mais sobre o assunto? Leia o artigo abaixo!

Por que a Grã-Bretanha dominou as Ilhas Malvinas?

As Ilhas Malvinas estão localizadas a menos de 500 km a sudeste da Argentina e, atualmente, possui cerca de 3.200 habitantes. 

Desde 1883, a Grã-Bretanha ocupa e administra o arquipélago. Então, antes de entender o motivo da guerra, é preciso olhar para o passado e saber o porquê do local ser um território dos ingleses. 

Não há um consenso exato para saber quem “descobriu” o local, porém, o que se sabe é que a partir da colonização européia na América do Sul, os europeus tomaram conta das ilhas. Ainda assim, houve uma disputa entre espanhóis e franceses para decidir quem ficaria como “dono” do arquipélago.

Em 1764, a primeira ocupação do local foi feita pelo francês Louis Antoine de Bougainville, sendo o próprio a nomear as ilhas “Malouines” — que em espanhol posteriormente se transformaria em “Malvinas”. Porém, enquanto os franceses colonizavam o lado leste da ilha, os ingleses descobriram o lado oeste, em 1766. 

Os espanhóis, mesmo sem nunca ter ocupado o local, souberam que os franceses estavam ali e apareceram para reclamar o que acreditavam ser seus por direito. O Rei da França, Luís XV, aceitou os pedidos do governo espanhol e entregou sua parte à Espanha. Em 1767, os espanhóis tomaram conta do local. Os ingleses partiram em 1774.

Um tempo depois, o governo espanhol não estava satisfeito com o arquipélago, já que era frio, não era possível produzir nada e o único alimento era peixe. Com isso, os espanhóis saíram das Ilhas Malvinas em 1811 e o local ficou desocupado por muitos anos. 

Com a independência da Argentina, em 1816, o governo argentino ignorou a existência do arquipélago, ocupando-se deles em 1821.  

Como não havia habitantes nas ilhas, o governo argentino concedeu ao comerciante Luis Vernet, nascido na Alemanha, a permissão para realizar atividades de pesca e exploração de gado selvagem no arquipélago. 

Buenos Aires passou a considerar Vernet o comandante militar e civil das ilhas em 1829 e ele tentou regulamentar a pesca para parar as atividades de baleeiros e caçadores de focas estrangeiros. 

Em 1833, houve um novo conflito entre a Argentina e a Grã-Bretanha, já que os ingleses retornaram ao país sul-americano. Um navio de guerra — fragata clio — ancorou diante Puerto Soledad, assentamento no nordeste da ilha Malvina Oriental. Ele foi criado por Louis de Bougainville, em 1764, como o primeiro assentamento francês nas Ilhas Malvinas, mas foi transferido para a Espanha em 1767 e renomeado Puerto Soledad. 

Os ingleses exigiram que os argentinos desocupassem o local. Após quase um século, em 1982, a Argentina voltou a ocupar as Ilhas Malvinas, mas de forma transitória. 

Jovens militares a caminho da guerra

Como ocorreu a Guerra das Malvinas? 

Aqui é importante salientar que, na época, a Argentina vivia sob uma ditadura militar, que durou sete anos. O regime contou com três ditadores, entretanto, na fase da Guerra das Malvinas, quem presidia o país era o general Leopoldo Galtieri. 

O país estava pressionado por problemas econômicos e sociais, que colocavam a população contra o governo. Com isso, o general Galtieri viu na ocupação das Ilhas Malvinas uma chance de recuperar a imagem do governo. 

Um pouco antes do início da guerra, o governo argentino criou a Operação Rosário, que consistia em planejar as estratégias demandadas por suas forças militares. Além disso, a Argentina acreditava ter o apoio dos Estados Unidos ou até mesmo que a Inglaterra aceitasse algum acordo diplomático para desistir da posse das Ilhas Malvinas. 

Porém, o acordo não aconteceu e os planos da Argentina não deram certo. Em março, os navios argentinos começaram a rondar a área do arquipélago, o que chamou a atenção das tropas inglesas que tomavam conta do local. 

Com isso, o governo da Inglaterra mandou os navios da Argentina saírem do território inglês imediatamente. Por causa dessa discórdia, o governo argentino mandou o Exército, com 200 soldados, desembarcar no arquipélago, dando início a guerra.

No primeiro conflito a Argentina saiu vitoriosa, resultando na posse de Port Stanley, capital das Ilhas Malvinas. Com a vitória, o nome da capital mudou para Puerto Argentino. Mesmo com a conquista, o governo inglês tentava negociar a saída pacífica dos argentinos do território, o que não aconteceu.

Devido a negativa do general Galtieri, a primeira-ministra britânica  Margaret Thatcher ordenou que as tropas inglesas começassem um novo conflito contra o Exército argentino.

A chamada Operação Sutton, nomeada pelos ingleses, enviou um grande número de armas e fuzileiros para as Ilhas Malvinas. Em resposta, o governo argentino organizou um contra-ataque comandado pela Fuerza Aérea Sur. 

Usando os mísseis Exocet, os argentinos conseguiram abater duas embarcações britânicas. 

Mulheres também participaram do combate

No entanto, o governo argentino não tinha o preparo que os ingleses tinham quando se tratava de guerras, o que causou um prejuízo imenso para a Argentina. O Exército inglês preparou um cerco na cidade de Port Stanley, o que causou a vitória da Inglaterra na guerra.

O conflito teve fim em julho de 1982 e os ingleses permaneceram nas Ilhas Falkland, nome oficialmente dado pelos ingleses à região.

Foram contabilizadas 649 mortes de soldados argentinos e 255 de soldados ingleses, além de três civis.

O ex-combatente argentino, Julio Aro, criou o Projeto Humanitário Malvinas para identificar os 122 soldados enterrados no cemitério de Darwin desde 1982. Graças a isso, 115 identidades foram identificadas. 

Como dito acima, a guerra causou um prejuízo muito grande para a Argentina. A crise econômica foi enorme, sendo que a inflação chegou a 600% ao ano. A repressão popular também fez com que a ditadura no país tivesse um fim. 

No ano seguinte, a Argentina começou seu processo de redemocratização, elegendo o presidente Raúl Alfonsín. 

Como está a situação das Ilhas Malvinas hoje? 

As Ilhas Malvinas ainda estão sob domínio britânico. Por meio de um plebiscito realizado em 2013 — último feito —, os moradores das Ilhas Falkland decidiram continuar sob o governo da Inglaterra. 

Isso porque os habitantes do local acreditam que o governo inglês pode seguir trazendo prosperidade para o arquipélago: a renda per capita dos Kelpers, nome dado aos moradores da Ilha, é a quarta maior do mundo, US $96.962  — 542.773,88 reais —  por ano.

O governo da Argentina ainda hoje reivindica à Inglaterra a soberania das Ilhas Malvinas. O tema é tratado sempre nas eleições e políticos dizem que irão tomar de volta as Ilhas de forma democrática.

Em junho de 2020, o Itamaraty, na Argentina, afirmou sobre “a necessidade de retomar as negociações bilaterais sobre a soberania das Ilhas Malvinas com o Reino Unido o mais rápido possível”. 

Em comunicado no dia da “Jornada das Afirmações dos Direitos Argentinos sobre as Ilhas Malvinas”, o Ministro das Relações Exteriores, Felipe Solá, disse que “a necessidade de retomar as negociações bilaterais o mais rápido possível foi reiterada por 10 resoluções da Assembleia Geral e 37 resoluções do Comitê Especial da ONU sobre Descolonização e da comunidade internacional”, detalha o documento.

“A recuperação do pleno exercício de nossa soberania sobre os territórios insulares e espaços marítimos ocupados, respeitando o modo de vida de seus habitantes e em conformidade com o Direito Internacional, constitui um objetivo permanente e inalienável de todos os argentinos”, acrescentou o comunicado.

Para saber mais sobre a história de países hispanos, continue lendo o Exclamación!

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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