Andrés Calamaro é um artista que se reinventou ao longo das décadas sem perder sua essência. Nascido em Buenos Aires em 1961, ele descobriu cedo sua paixão pela música. Embora tenha começado com o bandoneón, foi ao piano e à guitarra que encontrou seu verdadeiro caminho, trilhando uma jornada que transitaria entre o rock, o pop e a música popular argentina.
Ainda na adolescência, integrou a banda Raíces, mas seu nome começou a ganhar força nos anos 80 ao lado de Los Abuelos de la Nada. Ali, não apenas tocava teclados, mas também se destacava como compositor, sendo responsável por clássicos como “Mil horas” e “Sin gamulán”.
Com o fim do grupo, iniciou sua carreira solo, mas foi em Los Rodríguez, nos anos 90, que encontrou seu primeiro grande auge. A banda conseguiu equilibrar rock e influências latinas de uma maneira que ressoava tanto na Espanha quanto na América Latina, gerando hinos como “Sin documentos” e “Dulce condena”.
O fim de Los Rodríguez, em 1996, foi o estopim para uma fase ainda mais ousada. Calamaro entrou em uma espiral de criatividade desenfreada, que resultou em álbuns essenciais para a música em espanhol. “Alta suciedad” (1997) trouxe um rock mais direto, recheado de canções que rapidamente se tornaram indispensáveis, como “Flaca” e “Loco”.
Leia nossa resenha do álbum Alta Suciedad, de Andrés Calamaro.
Mas foi com “Honestidad brutal” (1999) que ele mergulhou de vez em uma abordagem visceral e sem filtros, refletindo sua turbulenta vida pessoal e expandindo os limites do formato convencional de álbuns.
Porém, nada o definiria tanto quanto “El salmón” (2000), um disco quíntuplo (!) com 103 faixas, fruto de uma explosão criativa quase obsessiva. O excesso o levou a um breve hiato, mas sua volta foi marcada por um novo olhar sobre a própria obra. “El cantante” (2004) e “Tinta roja” (2006) exploraram tangos e boleros, mostrando um lado mais maduro e introspectivo. “La lengua popular” (2007) trouxe de volta o rock acessível e reafirmou sua relevância, enquanto “Cargar la suerte” (2018) mostrou um Calamaro mais polido, mas ainda dono de uma poesia afiada.
Seus trabalhos mais recentes, como “Dios los cría” (2021), reafirmam seu status de lenda viva, reunindo grandes nomes da música latina para reinterpretações de seu repertório. Calamaro nunca foi um artista previsível, e talvez seja isso que o mantenha tão essencial até hoje. Sua trajetória é a prova de que o rock pode envelhecer sem perder a autenticidade e a capacidade de provocar emoção. Aos 60 anos, ele segue fiel a si mesmo: irreverente, intenso e, acima de tudo, um dos maiores compositores da música em espanhol.
Andrés Calamaro no Brasil em 2025

Agora, em 2025, ele celebra um de seus álbuns mais icônicos, Honestidad Brutal (1999), com a turnê Agenda 1999 Tour, que já passou pela Europa e América Latina. Nos dias 16 e 19 de abril, ele retorna ao Brasil para um show em Porto Alegre e outro em São Paulo, respectivamente. Esse é um evento especial para os fãs brasileiros, já que sua única apresentação no país foi em 2019, na capital gaúcha. Além de revisitar as canções mais marcantes desse disco, como Paloma e Cuando te conocí, o setlist deve incluir clássicos como Flaca, Alta Suciedad, Estadio Azteca e Los Chicos, além de surpresas que sempre fazem parte de seus shows.
Compre seu ingresso:
- Porto Alegre, 16/04
- São Paulo, 19/04
