PERREOLOGÍA EP: 2 – Trap Argentino: Identidade, Resistência e Ritmo Urbano

Desde 2017, o trap se tornou um dos gêneros mais populares entre os jovens de Buenos Aires. Seja você um fã de longa data ou alguém que está apenas começando a descobrir esse estilo, o convite está feito: Entenda a força crescente do trap argentino no cenário musical.

Com origem nos Estados Unidos nos anos 1990, o trap transformou o cenário do hip-hop e do rap ao incorporar elementos da música eletrônica e do charleston —. Por volta de 2010, começou a surgir na Argentina um estilo próprio de trap, que trazia uma forte influência do reggaeton porto-riquenho e dominicano.

A partir de 2015, os artistas argentinos de trap começaram a conquistar espaço na cena latino-americana e internacional. Os primeiros nomes desse movimento despontaram em Buenos Aires, durante os encontros do Quinto Escalón, realizados no Parque Rivadavia, no bairro de Caballito — um ponto de referência nas batalhas de freestyle desde 2009. Jovens talentos como Ecko se destacaram ali, acumulando milhões de visualizações na internet.

Em 2017, um dos primeiros grandes sucessos do trap argentino, “Loca”, revelou ao público os artistas Khea, Cazzu e Duki. A partir daí, cada um seguiu uma carreira solo de sucesso. Cazzu, natural de Jujuy, iniciou sua trajetória na cumbia, gênero que antecedeu sua consagração no cenário do trap argentino. Khea tornou-se uma estrela internacional aos 17 anos. Já Duki, antes de vencer a batalha do Quinto Escalón em 2016, chegou a se aventurar pelo rock. 

Duki formou o grupo ModoDiablo ao lado de Ysy A e Neo Pistea. Com o hit “Quavo”, o trio consolidou um estilo ousado e provocador no trap argentino, já no ano seguinte, o trap argentino viveu um de seus momentos de maior crescente, com dezenas de novos artistas aderindo ao movimento e ampliando seu alcance nacional e internacional. Nomes como Bizarrap, Duki, Alemán, Bhavi, L-Gante Kloke e Ecko se consolidaram como protagonistas dessa nova geração, ajudando a moldar a identidade sonora e visual do gênero no país.

Tudo muda dentro do cenário argentino com a ideia do uruguaio Fede Lauria de montar uma gravadora focada em trappers argentinos, surge a Dale Play Records — hoje uma das 10 empresas mais valiosas da Argentina, conquistando 4 Latin Grammys apenas com o produtor Bizarrap.

As mulheres também têm presença marcante no trap nacional. Além da consagrada Cazzu, destacam-se nomes como Dakillah, Nathy Peluso, Naomi Preizler e Femigangsta. Dakillah começou sua carreira nas batalhas de freestyle nas praças de Villa Devoto.

Paulo Londra, de Córdoba, foi o artista de trap mais ouvido no Spotify em 2018. Inspirado pelo rap norte-americano, ele definiu seu estilo nas batalhas de freestyle de Buenos Aires. Desde então, colaborou com artistas internacionais como Ed Sheeran.

Já Ca7riel e Paco Amoroso, músicos com origem no rock, chegaram ao trap quase por acaso. Na casa dos vinte anos, começaram experimentando o rap, até encontrarem seu espaço no trap. O videoclipe de “Jala Jala” viralizou na internet e marcou o início de suas trajetórias como traperos.

As redes sociais desempenharam papel central nesse processo, democratizando o acesso e expandindo o alcance do gênero para além das fronteiras nacionais. Plataformas digitais foram essenciais para atrair uma juventude fascinada pela arte da rima improvisada, dando visibilidade a talentos do freestyle que começaram de forma underground e, com o tempo, conquistaram espaço no mercado fonográfico.

Eventos como Quinto Escalón, Batalla de los Gallos e Halabalusa foram marcos dessa trajetória, revelando nomes que hoje ocupam o topo das paradas.

Hoje o trap argentino resgata a história desse movimento, e reafirma seu papel com vozes ativas e criativas de uma geração que encontrou na música um caminho de expressão e resistência.

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