O merengue urbano é um gênero musical que, desde seu surgimento, divide opiniões. Por um lado, é alvo de críticas por parte dos puristas do merengue tradicional; por outro, é defendido por quem valoriza a inovação e a mistura de sonoridades como parte natural da evolução artística. Essa divisão deu origem a dois grupos distintos: os que acusam os artistas de “desfigurar” o merengue e os que reconhecem a importância de experimentar novos caminhos musicais.
O auge do merengue urbano se deu há cerca de 15 a 20 anos, quando a música urbana começava a despontar no mainstream. No entanto, é difícil apontar exatamente quando o gênero começou a perder força no cenário musical dominicano. O que se sabe é que a frequência com que os artistas lançavam novos trabalhos foi diminuindo gradativamente — um fator que pode ter contribuído para o enfraquecimento do estilo.
Prova de seu impacto na época são os números expressivos que músicas lançadas há mais de uma década ainda acumulam nas plataformas digitais, principalmente no YouTube, lançado em 2005. Hits como “La Paca” (Fuego Mambo), “Plomo”(Negro 5 Estrellas), “Se murió Lola” (Sujeto Oro 24), “Chambonea” (Omega), “A lo Oscuro” (Mala Fe), “Son pájaro malo” (Moreno Negrón), “Loca con su tigre” (El Cata) e “Estúpido” (Juliana) marcaram uma geração e ainda são lembrados por fãs do gênero.
A impressão de que o merengue urbano está desaparecendo se deve, em parte, à dificuldade de seus representantes em emplacar sucessos de grande alcance. Muitos artistas continuam fazendo esse tipo de música, especialmente nos bairros. Mas sem uma canção que os conecte com o gosto popular, é como se eles não existissem. Pode ser um bom artista, mas sem um hit, ele não vai transcender.
A importância da união entre artistas é um fator decisivo para o sucesso. Parcerias e irmandade fortalecem a cena, mas não garantem projeção: a união é boa para compartilhar, não necessariamente para conquistar êxito. O sucesso depende de encontrar a música certa.
Outro obstáculo enfrentado pelo gênero é a dificuldade de reconhecer e apoiar a nova geração de artistas. Muitos afirmam que o problema do merengue urbano é justamente a resistência em dar espaço a quem está chegando. O gênero precisa abrir portas para novos compositores, arranjadores e códigos musicais. Não adianta mais fazer música para quem tem 50 ou 60 anos — esse público já não frequenta festas como antes. É preciso falar com quem tem 15, 20 ou 25 anos, usando letras limpas, modernas e com a linguagem de agora.
O futuro do merengue urbano depende de sua capacidade de dialogar com as novas gerações sem renegar sua essência. Enquanto insistir nas fórmulas do passado, corre o risco de se tornar apenas lembrança nostálgica. Mas, se abraçar a reinvenção com autenticidade, poderá voltar a conquistar as pistas e reafirmar seu lugar como um dos ritmos mais contagiantes do Caribe.
