A primeira cerimônia do Grammy Latino aconteceu no ano 2000. Hoje, 20 anos depois, é possível olhar para o histórico da premiação e entender o modo de pensar dos membros da Academia de Gravação. Afinal, o que cada um desses gramofones distribuídos, quando colocados juntos, indicam?
Veja só alguns dados colocados em gráficos para entender o panorama das primeiras 20 edições (de 2000 a 2019).
Os maiores vencedores
A principal razão pela criação do Grammy Latino foi a enorme expansão de artistas de língua espanhola que já não cabiam dentro das categorias latinas do Grammy dos Estados Unidos.
Passado o tempo, observa-se que o país com o maior número de vitórias é o México. O país que segue é o Brasil, mas vale ressaltar que o nosso país ganha nas categorias de língua portuguesa. A única vez que um brasileiro ganhou em uma premiação geral foi Ivan Lins com Álbum do Ano, em 2003.

Somando todos os países, o México detém cerca de 20% de gramofones. Desta forma, o top 10 é o seguinte:
- México
- Brasil
- Porto Rico
- Espanha
- Colômbia
- Argentina
- Cuba
- Venezuela
- República Dominicana
- Uruguai

Olhando os dados de artista por artista, porém, o cenário muda. Até a edição de 2019, o que mais acumulou prêmios foi a banda portorriquenha Calle 13. Ele é seguido pelo colombiano Juanes, o dominicano Juan Luis Guerra, e o espanhol Alejandro Sanz.
A mulher mais premiada até a data é a colombiana Shakira, seguida pela mexicana Natalia Lafourcade.

A questão do gênero nas premiações
Olhando por cima os nomes dos principais vencedores, há algo que chama atenção: a maioria deles são homens. E a diferença não é pouca: a categoria mais importante da noite, Álbum do Ano, conta com 18 vitórias de homens e duas de mulheres. As únicas vencedoras foram Shakira com “Fijación Oral Vol. 1”, em 2006, e Rosalía com “El Mal Querer”, em 2019.

A situação é um pouco mais diversa na categoria de Gravação do Ano, embora a única mulher que tenha ganhado com uma música solo tenha sido Natalia Lafourcade com “Hasta La Raíz”, em 2015.
As demais ganharam acompanhadas de homens: Shakira com Alejandro Sanz (“La Tortura”, 2006), Totó La Momposina, Susana Baca e Maria Rita, junto a Calle 13 (“Latinoamérica”, 2011), Joy da dupla Jesse y Joy (“Corre”, 2012), Ana Tijoux com Jorge Drexler (“Universos Paralelos”, 2013), Shakira com Carlos Vives (“La Bicicleta”, 2016) e Camila Cabello com Alejandro Sanz (“Mi Persona Favorita”, 2019).

Colocando em um gráfico, a situação é a seguinte: juntando Gravação e Álbum do Ano, apenas 21,6% dos prêmios foram dados a mulheres.

A questão racial
A divisão racial é ainda mais forte em relação à de gênero. O único álbum de um artista não-branco a ganhar foi “Los Dúos II”, de Juan Gabriel. O cantor é um mexicano mestizo e o prêmio foi dado postumamente, em 2016.

Na Gravação do Ano, o mesmo segue: as únicas artistas não-brancas foram as já mencionadas Susana Baca (peruana) e Totó La Momposina (colombiana), ambas negras, e a chilena mestiza Ana Tijoux.

Colocando em um gráfico, a situação se mostra alarmante: 92% dos vencedores em categorias principais são brancos.

O Grammy Latino 2020
Os dados apresentados são sobre as primeiras 20 cerimônias, realizadas entre 2000 e 2019. Por conta disso, com a passagem do Grammy Latino 2020, algumas estatísticas alteraram um pouco.
Quanto à questão racial: nenhuma novidade, pois todos os vencedores das categorias principais são brancos. Já no que se relaciona ao gênero, há algo que comemorar: “Un Canto Por México” de Natalia Lafourcade foi premiado com o Álbum do Ano, fazendo da cantora a terceira mulher a ganhar.
Com esse e mais dois prêmios que lhe foram dados, a cantora mexicana empatou com Shakira como as mulheres com maior número de vitórias.
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