Desde os anos 2000, o Equador passou a usar o dólar como moeda oficial no país. A decisão foi do ex-presidente Jamil Mahuad, do partido União Democrata Cristã, em decorrência de diversos fatores da economia equatoriana.
Mas, qual o histórico econômico do Equador para ser preciso adotar a dolarização? Leia no texto abaixo!
Antecedentes sobre a dolarização no Equador
Como sabemos, qualquer crise — seja ela econômica, política, social — não começa do dia para a noite. Por isso, é preciso entender o que aconteceu para o governo do Equador adotar a dolarização no país.
A partir de 1983, o sucre equatoriano — antiga moeda do Equador — entrou em um regime de desvalorização, controlado e induzido pelo próprio governo, o que gerou um problema de inflação extremamente alto na época.
Outro fator para o conflito econômico foi a crise da dívida externa, ainda na década de 80, ocasionando a chamada pancada dos juros, feita pelo então presidente do Banco Central Americano, Paul Volcker, quando os juros americanos ficaram em 20%.
Isso fez com que o dólar americano se fortalecesse mundialmente e então os investimentos nos países da América Latina ficassem menos atrativos.
Os juros no país subiram de 8% para 15% já no fim de 1982. No fim de 1983, a dívida externa do país passou para 43% do PIB. Em 1987, o governo interromperia o serviço da dívida de bancos estrangeiros comerciais.
Entre 1998 e 2000, o Produto Interno Bruto nominal caiu 35% e o PIB per capita baixou 33%. O sucre equatoriano sofreu uma desvalorização de 359,7% em consequência das políticas adotadas na época.
A pobreza, que era de 56% em 1995, teve um crescimento de 69% em 2001. O desemprego aumentou de 8% para 17%. Os salários reais foram reduzidos em aproximadamente 40%.

Outros motivos para o Equador adotar o dólar
Os desastres naturais como ciclos de seca, excesso de chuvas, terremotos e vulcões também são algumas das razões para o governo equatoriano usar o dólar como moeda oficial.
Há, também, as commodities — produtos de qualidade e características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem, sendo seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional — o que tornou o país vulnerável a choques externos.
Além disso, houve o câmbio. A partir de 1992, o governo começou a controlar o orçamento e a dívida governamental, durando até 1997. O que atraiu a confiança dos investidores, porém, o país continuava hostil aos investimentos e a produtividade também ficaram estagnadas.
Outras modificações foram feitas: privatizações — com redução no número de funcionários estatais — e desburocratização no setor bancário, com o qual os bancos agora poderiam operar em dólares.
Com isso, ocorreu a redução nos déficits e dívida bruta. O que ocasionou um aumento nas reservas internacionais.
A política do país não ficou de fora nos motivos para a dolarização. Em 1995, aconteceu uma guerra contra o Peru, já que o país equatoriano quebrou um acordo de paz firmado em 1941, por ter invadido o território peruano próximo ao Rio Cenepa.
O conflito durou rapidamente, pouco mais de um mês, sendo resolvido um ano depois com um acordo intermediado entre Brasil, Estados Unidos, Argentina e Chile.
Porém, essa guerra causou outros danos financeiros ao Equador. Os déficits mais que dobraram, indo de 1,23% em 1995 para 2,77% no ano seguinte. Para piorar, o Equador também sofreu interferência da Crise do México de 1994.
O que mudou após a dolarização?
Como visto, o sucre equatoriano se desvalorizou muito durante os anos, o que desequilibrou toda a economia. Com o sucre em baixa, ocorreu uma grande recessão e inflação no país.
Após anos de crise, a dolarização ajudou o Equador a se reerguer economicamente. Alguns dos pontos principais foram:
- a nova moeda acabou com a instabilidade cambial que estava prejudicando seriamente o investimento estrangeiro no país;
- houve um certo “boom econômico” após a dolarização;
- Setores como finanças, transporte, comunicação, turismo e exploração petrolífera se beneficiaram bastante através das transações estrangeiras feitas com o dólar.
Para além disso, a inflação tem estado em números menores que um dígito, o desemprego apresentou níveis moderados e o risco soberano tem sido inferior em comparação com a era da autonomia monetária, e o investimento tem crescido a uma maior velocidade.
Por outro lado, há alguns pontos negativos, como por exemplo, o investimento estrangeiro direto tem sido mínimo e a economia reflete uma maior dependência do petróleo em comparação com o período pré-dolarização.

Como está a economia do Equador hoje
Atualmente, a economia do Equador enfrenta, entre outras coisas, endividamento externo crônico e crise financeira causada pela pandemia, além de instabilidade no preço do petróleo, do qual o país é dependente.
O presidente equatoriano, Lenín Moreno, recorreu ao Fundo Monetário Internacional, FMI, o que deu um alívio à economia dolarizada no país, porém o passivo externo foi de cerca de 26.897 milhões — 26% do PIB — para cerca de US$ 42.383 milhões — 44% do PIB — entre maio de 2017 e novembro de 2020.
A pandemia do coronavírus deixou perdas avaliadas em mais de US$ 6,4 bilhões, o que pôde apresentar uma contração de 8,9% em 2020.
Além disso, o desemprego passou de 3,8% em dezembro de 2019 para 8,59% em 2020.
Neste ano de 2021, houve eleições no país e, obviamente, o tema da dolarização foi pauta para os candidatos e também para os eleitores no Equador.
Sendo que a maioria da população é contrária ao regime de moeda própria, já que em diversas pesquisas feitas mostram que, no geral, os equatorianos são a favor da dolarização.
Alguns dos motivos para a maior aceitação do dólar seria a supervalorização da moeda norte-americana e por ser uma forma de amenizar os efeitos de uma hiperinflação, já que o dólar é usado internacionalmente, o que ajuda nas transações financeiras.
Então, quando você for ao Equador, não esqueça de levar dólar para poder consumir no país.
Para saber outras curiosidades sobre a América Latina, continue lendo o Exclamación!
