Manuela Sáenz nasceu em Quito, Vice-Reinado da Nova Granada, em 27 de dezembro de 1798. Em 1817, Manuela se casou com o médico inglês James Thorne, embora sua verdadeira paixão estivesse na causa pró-independência.
Sua admiração por Simón Bolívar e seus constantes apoios à causa fizeram com que o próprio general notasse suas intenções e, com o tempo, se envolveu romanticamente com Manuela.
Também conhecida como Manuelita, ela terminou sendo um personagem crucial para o desenvolvimento da independência das nações sul-americanas. Porém, seu nome foi esquecido na história durante muitos anos, até que encontraram suas cartas de amor a Bolívar na década de 1950. A partir de então, historiadores têm tentado reconstruir sua participação nas campanhas independentistas.
Manuelita, libertadora do libertador
A equatoriana conheceu Simón Bolívar em 1821 e se tornaram amantes e companheiros de luta durante oito anos. Desta forma, Manuela desempenhou um papel essencial na vida política e militar de Bolívar, sendo reconhecida como a “Libertadora do Libertador” por salvar sua vida durante a conspiração Septembrina em Bogotá.
Essa foi uma tentativa de assassinato do Libertador Simón Bolívar, liderada por setores conservadores e partidários de Francisco de Paula Santander, um dos principais líderes políticos da época.
Durante a conspiração, um grupo de opositores a Bolívar planejou um ataque ao palácio presidencial, onde ele estava hospedado. O objetivo era assassinar Bolívar e dar um golpe contra o governo bolivariano. No entanto, graças à intervenção de Manuela Sáenz, Bolívar conseguiu escapar do atentado.
Após o fracasso da conspiração, os líderes envolvidos foram identificados e punidos. Francisco de Paula Santander, considerado o mentor intelectual do plano, foi acusado de traição e destituído de seus cargos. Embora inicialmente condenado à morte, sua pena foi comutada para o exílio. Este evento teve um impacto significativo na política da Grã-Colômbia, exacerbando as tensões entre os diferentes grupos políticos e contribuindo para a instabilidade do país.

Manuela Sáenz nas tropas de batalha pela independência e Coronel do Exército Colombiano
Manuela participou ativamente na guerra de independência, montando a cavalo, manejando armas e participando em batalhas chave como Pichincha, Junín e Ayacucho, onde ascendeu a Coronel do Exército Colombiano.
Veja o fragmento da carta enviada por General Sucre a Bolívar em 1824, falando sobre a participação de Manuela Sáenz em Ayacucho:
“[…] Destaca-se especialmente Dona Manuela Sáenz por sua valentia; incorporando-se desde o primeiro momento à divisão de Húzares e depois à de Vencedores, organizando e providenciando o suprimento das tropas, cuidando dos soldados feridos, lutando bravamente sob o fogo inimigo; resgatando os feridos. Sua ajuda tem nos favorecido grandemente nestes combates. Dona Manuela merece uma homenagem especial por sua conduta; por isso rogo a S.E. que lhe conceda o posto de Coronel do Exército Colombiano”.
A primeira exilada da América
Após a morte de Bolívar, Manuela enfrentou perseguição política e exílio, já que a República da Gran Colômbia estava se dissolvendo em pequenos outros países — os que conhecemos atualmente como Equador, Colômbia, Venezuela e Panamá.
Passou seus últimos anos em Paita, Peru, onde faleceu em 23 de novembro de 1856, durante uma epidemia de difteria. Seu corpo foi sepultado em uma cova comum e muitas de suas posses foram incineradas, o que dificultou o trabalho dos historiadores.
Homenagens póstumas
No bairro de San Marcos, no Centro Histórico de Quito, existe o Museu Manuela Sáenz, fundado pelo historiador Carlos Álvarez Saá em 1992 e dedicado à sua memória. O museu abriga diversos objetos que pertenceram a ela e ao Libertador.
Também na capital equatoriana, há um pequeno busto dela no Parque La Alameda; uma rua no norte da cidade leva seu nome, assim como uma das 8 administrações zonais, especificamente a da Zona Centro. Em 2010, durante a cerimônia de comemoração dos 188 anos da batalha de Pichincha, outro busto foi revelado no Salão de Armas do Templo da Pátria.
Em 22 de maio de 2007, durante a comemoração da batalha de Pichincha, o governo do Equador a promoveu ao posto de General Honorária da República do Equador.

Manuela Sáenz: ícone feminista latino-americano
Depois de redescoberta sua história, chegou a aparecer em livros de autores como Gabriel García Márquez e Pablo Neruda. Já em propostas mais acadêmicas, começou a ser tratada como um ícone feminista pela luta latino-americana, embora ainda não esteja em livros oficiais e didáticos sobre a história do continente.
Na televisão, ganhou uma novela em sua homenagem em 1978, chamada “Manuelita Sáenz” e produzida pela Colômbia. O mesmo país, em 2017, lançou a série “Bolívar”, que também se aprofunda bastante na personagem. Esta séria ajudou na popularização da sua história, uma vez que seus direitos de exibição foram comprados pela Netflix.
Leia para descobrir a história de Simón Bolívar e a libertação da América.
