María Remedios del Valle: Mãe da pátria argentina e rosto da cédula de 10 mil pesos

Durante as guerras de independência da Argentina, destaca-se o nome de uma mulher de origem afro que, apesar de enfrentar enormes desafios, contribuiu significativamente para a causa. María Remedios del Valle uma dessas figura essencial, conhecida por sua dedicação e coragem, e que ganhou o título de Mãe da Pátria Argentina.

Iniciando sua participação como enfermeira, ela rapidamente se envolveu no combate, e também lutou bravamente ao lado do exército patriota liderado por Manuel Belgrano. Negra, pobre e mulher, ela representa uma quebra total dos paradigmas da época e para a sociedade argentina — não à toa, ela foi escolhida como rosto para a nova cédula em circulação no país, com o valor de 10 mil pesos.

Participação de María Remedios del Valle nas guerras de independência

Sua primeira participação foi na Expedição ao Alto Peru, junto com seu marido e seus dois filhos. Ela, como muitas outras mulheres, acompanhou a tropa alimentando os soldados, cuidando dos feridos e também lutando com eles.

Durante a batalha de Huaqui, María Remedios del Valle enfrentou uma tragédia pessoal ao perder seu marido e dois filhos. Ainda assim, seguiu para os enfrentamentos de Tucumán e Salta. Sua bravura e determinação a levaram a ser nomeada Capitã por Manuel Belgrano, líder independentista que iniciou a Revolução de Maio. 

Foi capturada e torturada algumas vezes, além de ser ferida com bala em vários momentos, mas conseguiu resistir e voltar a casa com vida, estabelecendo-se na cidade onde nasceu, Buenos Aires.

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Reconhecimento de María Remedios del Valle como Mãe da Pátria Argentina

Apesar de seus esforços e de ter lutado lado a lado com os homens do exército independentista, seu reconhecimento como tal demorou a chegar. Pobre e sem família, após a guerra viveu na miséria e pedindo esmolas pelas ruas, pois não recebia o suficiente para viver.

Na década de 1820, nomes como Juan José Viamonte, Eustaquio Díaz Vélez, Juan Martín de Pueyrredón e dos coronéis Hipólito Videla, Manuel Ramírez e Bernardo de Anzoátegui testemunharam a seu favor para que o reconhecimento fosse formal e que o título lhe rendera alguma coisa em forma de contribuição monetária. Assim, conseguiu uma pensão de 30 pesos mensais, que pouco serviam para sobreviver.

Em 1829, recebeu o título de sargento maior e, anos depois, o governador Juan Manuel de Rosas aumentou seu posto na hierarquia militar para que a sua remuneração fosse mais alta e ela saísse da miséria — e então passou a receber 216 pesos até o dia de sua morte, em 8 de novembro de 1847. Em forma de agradecimento, a guerreira mudou seu nome para Remedios Rosas.

Homenagens póstumas

Grupos de minorias étnicas argentinos têm tentado levantar a voz para dar maior reconhecimento às figuras não-brancas que destacaram na história do país, como é o caso de María Remedios del Valle.

Com isso, desde 2013, uma lei sancionada instituiu o dia 8 de novembro como o Dia Nacional dos Afroargentinos e da Cultura Afro.

Em 2024, o Banco Central Argentino aprovou a emissão de uma nova nota, com o valor de 10 mil pesos, que conta com a imagem de María Remedios del Valle, dividida com o rosto de Manuel Belgrano, criador da bandeira argentina.

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