O que foi a Revolução de Maio?

O dia 25 de maio de 1810 é conhecido como Revolução de Maio ou Dia da Pátria na Argentina. Essa data ficou marcada pelo primeiro governo local, conhecido como Primera Junta.

Além disso, foi neste mesmo dia que um crioulo — descendente de espanhóis nascidos na América — assumiu o governo da Argentina. A revolução aconteceu em Buenos Aires, capital do então Vice-Reino do Rio da Prata. 

Aqui vale salientar que na época, esta era uma colônia do Império Espanhol que incluía aproximadamente os territórios dos atuais países da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Para saber mais sobre esse acontecimento, leia o texto abaixo.

Antecedentes da Revolução de Maio

Alguns fatos externos contribuíram para a Revolta de Maio acontecer, como por exemplo:

Independência dos Estados Unidos

A Grã-Bretanha vinha aplicando muitas restrições ao comércio com suas colônias norte-americanas em benefício dos mercadores ingleses. 

Seus produtos poderiam ser exportados apenas para a Metrópole. Por volta de 1770, a coroa queria obrigar as colônias a pagar parte das despesas das guerras europeias. 

A maioria dos americanos se opôs, até que foi decidido convocar um congresso na Filadélfia em 1774. Foi nesse congresso que, em 4 de julho de 1776, as treze colônias norte-americanas concordaram em acabar com o domínio britânico.

A Rebelião Túpac Amarú

No Peru em 1780, um descendente dos Incas, José Gabriel Condorcanqui, tomou o nome do último imperador dos Incas, Túpac Amaru — que havia sido assassinado pelo Vice-Rei Francisco de Toledo — e liderou uma rebelião de indígenas e mestiços contra o poder espanhol. 

O objetivo era acabar com a exploração brutal a que foram submetidos, durante séculos, em minas e fazendas pelos espanhóis. O movimento teve uma adesão enorme e se espalhou por uma vasta área que vai da Colômbia às Províncias Unidas do Río de La Plata. 

Milhares de indígenas se juntaram ao exército libertador de Túpac Amaru, que buscava o fim do domínio espanhol e o retorno das terras americanas aos seus legítimos proprietários. 

Em 18 de maio de 1781, depois de assassinar quase toda a sua família, as autoridades espanholas submeteram-se a Túpac Amaru à tortura do desmembramento. 

Quatro cavalos puxaram seus membros, mas não conseguiram com sua força. Indignados, eles ordenaram que a “cerimônia” fosse suspensa e um carrasco para completar a feroz tarefa com machados. 

As partes de seu corpo foram colocadas em piques nas cidades onde a tentativa revolucionária havia sido bem-sucedida, de forma moderada.

Invasão de Napoleão na Espanha

Em 1808, Napoleão invadiu a Espanha e forçou Carlos IV a renunciar ao trono em favor de seu filho Fernando VII. Mas as coisas não acabaram aí, Fernando foi feito prisioneiro e forçado a deixar o trono da Espanha para José Bonaparte, irmão de Napoleão.

Em toda a Espanha começaram a se formar comitês de governo que responderam a uma Junta Central instalada em Sevilha para resistir à invasão francesa. 

Em fevereiro de 1810 quase toda a Espanha estava nas mãos dos franceses e em 13 de maio de 1810 chegou a Buenos Aires a notícia da queda do Conselho Central de Sevilha, em consequência da qual a autoridade que havia nomeado o Vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros no Rio de La Plata expirou e a autoridade do vice-rei foi questionada.

O que aconteceu na semana anterior à revolta?

A Revolução aconteceu no dia 25, porém dias antes já dava sinais que a revolta estava prestes a começar. 

No dia 15 de maio, chegou a Buenos Aires a notícia da queda da Junta de Sevilla, último bastião de poder da Espanha.

No dia 18, a notícia se espalha pela Argentina. O vice-rei Baltasar Hidalgo de Cisneros confirma à população a informação, afirmando sua vontade de lutar pela coroa espanhola e pela “liberdade e independência” de toda a dominação estrangeira.

Entretanto essa fala não foi suficiente para convencer os crioulos, que no dia seguinte começaram a exigir a realização de  Cabildo Aberto — corporações municipais instituídas na América Espanhola durante o período colonial que se encarregavam da administração geral das cidades coloniais — para definir o destino do governo local.

Em 20 de maio, Cisneros reúne-se na Fortaleza com os chefes militares para pedir apoio, o que foi negado. Mais tarde, o vice-rei decidiu convocar os moradores mais renomados  de Buenos Aires para participar, resultando em 450. Mas apenas 251 compareceram aos debates. 

Na reunião, chegou-se ao acordo que Cisneros precisava renunciar ao cargo. 

O bispo de Buenos Aires, Benito Riega, manifestou que no caso da perda da Península Ibérica, os espanhóis deveriam continuar governando a América e os crioulos só poderiam chegar ao cargo caso não houvesse mais nenhum espanhol na região. 

Após algumas discussões, ficou decidida a proposta de Cornelio Saavedra, de cessação do governo do vice-rei e a delegação ao Cabildo de governar até a formação de uma Junta que exerceria o poder com base na participação popular.

A votação aconteceu no dia 23. O resultado foi em 155 votos pela destituição do vice-rei e 69 pela continuação no comando. O governo deveria ficar em mãos de uma Junta em nome do rei espanhol Fernando VII.

No dia seguinte o Cabildo, cumprindo uma ordem recebida, organizou uma Junta formada por vice-rei Cisneros, Juan Solá, Juan Castelli, Cornalio Saavedra e José de Incháurregui, representando distintos setores. 

Cisneros era funcionário; Saavedra, militar; Solá, clérigo; Castelli, advogado e Incháurregui, comerciante.

Na reunião, o vice-rei foi denominado Chefe da Junta. Porém, a população ficou descontente com essa decisão, por uma série de fatores: descontentamento nos quartéis, rumores nos conventos e a reação dos comerciantes, ocasionando em uma manifestação popular. 

Com o clamor social, Saavedra e Castelli renunciaram aos cargos. Cabildo também se rendeu aos protestos e aceitou as desistências. 

Após essas renúncias, um grupo de jovens se apresenta na sala de Acordos, dando a conhecer a nova Junta Governativa. Assim começou o processo revolucionário que levaria à declaração da Independência em 9 de julho de 1816.

 Como são feitas as comemorações atualmente na Argentina

Comemoração da Revolução, em 2014

O dia 25 de maio é feriado nacional no país, chamado de Dia da Pátria. Tradicionalmente as famílias se reúnem para comer “pastelitos”, empanadas e locro — um guisado de carne suína e bovina à base de feijão, milho e abóbora.

Também é comum ver os argentinos usando broches com as cores da bandeira da Argentina.

Além disso, durante a Semana de Maio, o Museu Nacional do Cabildo de Buenos Aires e da Revolução de Maio é iluminado com luzes celestes à noite e promove diversas atividades, com direito a chocolate com churros para as crianças. 

Para os argentinos, a data é considerada um feriado “imóvel”, ou seja, alguns feriados podem ser comemorados em outros dias, porém o Dia da Pátria é celebrado no dia 25 de maio independente de qualquer circunstância.  

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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