Parte da lista 100 melhores álbuns em espanhol criada pelo Exclamación
O quinto álbum de Mon Laferte, Norma, traz uma jornada emocional completa, começando com o flerte inicial e culminando na separação de um casal, explorando as diversas fases do desamor. Com uma sonoridade que transita entre ritmos clássicos da música latina e toques inovadores, o álbum é um tributo afetivo à história musical do gênero, com a artista adicionando sua assinatura única a cada faixa.
A ideia de reviver a sonoridade clássica da música caribenha ocorreu em todas as etapas da produção: o disco foi gravado inteiramente ao vivo, com a banda inteira no estúdio ao mesmo tempo, e em fita para, depois, ser digitalizado. Inclusive, houve apenas duas gravações, ambas no mesmo dia.
O primeiro single, “Ronroneo”, com sua atmosfera de mambo sensual e ritmo lento, exibe a entrega emocional de Laferte desde o começo, enquanto “Por Qué Me Fui a Enamorar de Ti” traz uma salsa tradicional com uma declaração de amor apaixonada. No entanto, à medida que o álbum avança, a tensão cresce, refletindo as fases do término, com “El Mambo” e “El Beso” representando momentos de conflito e reconciliação, respectivamente. A tensão se dissolve completamente em “Funeral”, um bolero melancólico que destaca a dor e a nostalgia de um relacionamento perdido.
Além disso, Mon Laferte, na capa do álbum, aparece cortando uma cebola, o que nos leva a refletir sobre o conceito de “música cebolla”, uma expressão que tem suas raízes no Chile.
Na década de 1960, o bolero era um gênero muito popular, especialmente entre as classes baixas do Chile, mas também em outros países de fala hispana. No entanto, a música era vista de forma depreciativa pela elite, sendo chamada de “música de pobre”. Artistas como Lucho Gatica enfrentaram resistência das classes altas, e foi nesse contexto que surgiu o termo “música cebolla”, usado para se referir às baladas românticas de tom melancólico e triste.
A cebola, associada ao ato de fazer chorar, tornou-se um símbolo dessa musicalidade, que tocava fundo na melancolia dos ouvintes. Essa música era rejeitada pelas elites, que barravam as baladas de eventos patrocinados e rádios, criando um estigma em torno desse estilo musical.
Mon Laferte, no início de sua carreira, enfrentou esse preconceito. Após começar sua trajetória em programas de talentos nos anos 2000 e gravar algumas músicas, ela não conseguia visibilidade no Chile, justamente por ser considerada “música cebolla”. Isso a levou a se mudar para o México, onde se estabeleceu como musicista independente, cantando em bares, eventos pequenos e até no metrô da Cidade do México.
Foi no México que Mon Laferte conseguiu gravar seus primeiros CDs independentes e, entre 2015 e 2016, alcançou a popularidade com a música “Tu Falta de Querer”, uma balada que a consolidou no cenário musical. Com o tempo, ela abraçou a identidade de cantora “cebollenta”, sem vergonha de sua ligação com esse estilo. Para afirmar sua relação com a “música cebolla”, Mon Laferte escolheu uma cebola como parte da capa de seu álbum Norma, celebrando a sua trajetória e a música que, por tanto tempo, foi considerada inferior.
Norma – Mon Laferte

Ano: 2018
Gênero: cumbia, salsa, mambo, bolero
País: Chile
Música de destaque: El Beso
Música favorita: No Te Me Quites de Acá
