
A marcha federal do sábado, 1º de fevereiro, convocada pelas lideranças de minorias sexuais em repúdio ao fascismo, surgiu como uma resposta direta ao discurso de Javier Milei no Fórum Econômico de Davos. A manifestação teve como objetivo se posicionar contra a ascensão de um poder conservador e reacionário, simbolizado pelo governo de La Libertad Avanza, e expressou de maneira clara um caráter de resistência. Representando um freio social, a marcha visava limitar as ações do governo e deixar claro que existe um limite para suas políticas autoritárias e retrocessos.
O impacto do discurso do presentente em Davos, onde associou a homossexualidade à pedofilia e atacou a “ideologia woke”, foi o estopim para uma das maiores mobilizações dos últimos anos. No entanto, a manifestação não se limitou ao ativismo LGBTQIA+, mas incorporou as demandas de trabalhadores, docentes, aposentados e setores populares que denunciam o desrespeito aos seus direitos. A unidade foi clara, e o protesto expressou a resistência de diversos grupos à política do governo.
Em termos de mobilização, o evento foi de grande escala, com cerca de 80.000 pessoas se reunindo na Cidade de Buenos Aires, enquanto se estimou que ao todo, aproximadamente 2 milhões de manifestantes participaram em todo o país. Diversas províncias, como Formosa, Corrientes, Chaco e Misiones, se destacaram pelo número de participantes, além das manifestações internacionais que ocorreram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago, Montevidéu e várias capitais europeias.
A marcha expressou a ideia de um “até aqui”, com um protesto contra as atitudes autoritárias do governo e suas políticas, como a recente postura em relação ao sistema universitário e a crise que ele enfrenta. No ano anterior, as marchas universitárias já haviam demonstrado oposição ao governo, especialmente em relação ao veto de Milei sobre questões orçamentárias e políticas para a educação.
Leia mais sobre a Marcha Universitária Argentina
A marcha também recebeu apoio de sindicatos e movimentos populares. Líderes como Yamile Socolovsky, da CTA, e María José “Monona” Gutiérrez, da UTE, condenaram os ataques de Milei e destacaram a importância de se unir em defesa da democracia e dos direitos conquistados. O sindicalismo feminista também marcou presença, com figuras como María Laura Torre, do SUTEBA, que conectou a luta contra o governo com a resistência dos trabalhadores e setores sociais em prol da justiça social.
A proposta do governo de revogar direitos fundamentais conquistados nos últimos anos, como a aprovação da lei de identidade de gênero, a lei de casamento igualitário, e a lei do aborto, foi amplamente rejeitada, sendo considerada um retrocesso perigoso para a sociedade argentina, que foi uma das primeiras na América Latina a trazer esses avanços.
Os protestos anti fascistas também foram fomentados por figuras públicas. A cantora e atriz Lali, que vem sendo constantemente assediada e perseguida pelo presidente antes mesmo de ser eleito, mudou as fotos nas redes sociais para a bandeira LGBTQIA+ e divulgou as informações da marcha, além de aparecer no dia junto às cantoras María Becerra e Taichu.
Leia mais sobre a obsessão de Javier Milei pela cantora Lali

Os manifestantes foram claros em suas demandas por liberdade, igualdade e justiça, afirmando que não vão permitir retrocessos nos direitos conquistados. A participação internacional e a adesão de diferentes setores sociais à causa mostraram que a luta contra o fascismo e pela igualdade de direitos continua sendo uma prioridade para muitas pessoas em todo o mundo, e que estão todos de olho no que está acontecendo no país.
