Matilde Hidalgo, o Equador e a conquista do voto feminino na América Latina

Em 1924, Matilde Hidalgo marcou a história ao se tornar a primeira mulher a votar na América Latina. Sua trajetória é um símbolo da luta feminista e dos avanços conquistados pelas mulheres na política. Nascida em Loja, no sul do Equador, em 1889, ela desafiou as barreiras impostas pelo gênero e pela classe social desde cedo. Foi a primeira mulher a concluir o ensino secundário no país e, posteriormente, a primeira a se formar em medicina na Universidade Central do Equador, em 1921.

A conquista do direito ao voto ocorreu em meio às eleições legislativas de 1924. Matilde tentou se registrar como eleitora, mas sua inscrição foi negada. No entanto, ao analisar a Constituição equatoriana, ela percebeu que não havia nenhuma especificação de gênero como critério para votar, apenas a exigência de ser maior de idade e alfabetizado. Sua petição resultou em um debate sobre os requisitos de cidadania na Constituição de 1906 e, em 9 de junho de 1924, o Conselho de Estado autorizou seu voto, desafiando os preconceitos da época e consolidando um avanço histórico para a democracia equatoriana.

Além de abrir caminho para a participação eleitoral, essa decisão permitiu que as mulheres também pudessem ser eleitas, avanço que foi formalizado na Constituição de 1929. Mas a conquista de Hidalgo não se restringiu às urnas: em 1930, ela e Bertha Valverde foram eleitas para o conselho municipal de Machala. Posteriormente, Hidalgo tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidenta do Conselho de Machala em 1945 e, em 1949, foi nomeada deputada suplente de Loja na Assembleia Nacional Constituinte.

Em 2019, o Equador instituiu o “Dia Nacional do Voto Feminino” em 9 de junho, em homenagem ao legado de Matilde Hidalgo e às mulheres que seguiram seus passos na busca por direitos políticos e igualdade.

A evolução do voto feminino na América Latina

Após a conquista pioneira no Equador, outros países da América Latina seguiram o exemplo, cada um com suas próprias lutas e desafios.

  • Brasil: Em 1932, o voto feminino foi introduzido, mas com restrições: apenas mulheres alfabetizadas e com mais de 21 anos podiam votar. O direito pleno foi garantido na Constituição de 1934.
  • Uruguai: Em 1932, aprovou-se a lei que permitia o voto feminino. Mulheres participaram das eleições de 1938, embora houvesse um precedente em 1927, quando algumas votaram em um plebiscito local.
  • Cuba: Em 1934, o governo concedeu o sufrágio feminino sem restrições.
  • Panamá: Em 1941, as mulheres puderam votar apenas nas eleições provinciais, alcançando o direito pleno em 1945.
  • Venezuela: O sufrágio feminino foi garantido em 1946, com a Lei de Registro Eleitoral.
  • Argentina: Em 1947, Eva Perón anunciou a aprovação da lei do voto feminino. As mulheres votaram pela primeira vez em 1951.
  • Costa Rica: A luta pelo sufrágio durou mais de 20 anos, e em 1950 Bernarda Vásquez Méndez foi a primeira mulher a votar no país.
  • El Salvador: Em 1950, as mulheres passaram a votar, embora houvesse registros de votos femininos desde 1921, quando o país ainda fazia parte da República Federal da América Central.
  • Chile: As mulheres puderam votar em eleições presidenciais a partir de 1952.
  • Bolívia: O sufrágio feminino foi reconhecido também em 1952.
  • Colômbia: Em 1954, o Congresso aprovou o voto feminino, que foi exercido pela primeira vez em 1957 em um plebiscito.
  • Peru e México: Em 1955, ambos os países concederam o direito ao voto feminino, sendo os últimos na região a reconhecer essa igualdade.

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