Quipus incas: a inteligência milenar dos andes

Você já imaginou um mundo sem celular e as telecomunicações e como as pessoas se comunicavam antes?

Na antiguidade, mais especificamente no Peru pré-hispânico, eram utilizadas um sistema de cordas e nós para registrar e transmitir informações — os quipus foram utilizados pelos incas como sistema de escrita, registro de histórias e cantos em língua quechua, além de contagem, tanto de rebanhos quanto de pessoas.

O quipus incas remonta a 2.600 a.C, e culturas em todo o antigo mundo andino utilizaram esse sistema por milhares de anos. Também eram portáteis, facilitando a transferência de informação à distância e o armazenamento ao longo do tempo.

O que é um quipu? 

Um quipu é um sistema a partir da união de cordões de lã de lhama ou alpaca, ou algodão, que podem ser coloridos ou não, dos quais saem diversas outras cordas menores, cada uma com nós e posições e formatos variados. 

Esse sistema se estendia aos atuais Peru, Bolívia, Chile, Argentina e Equador. A palavra “quipu” vem do quechua, idioma falado pelos incas e significa “nó”. Cada detalhe dos quipus, como cores, formatos, tipo de nó e espaçamento baseiava-se em um significado específico. 

Por exemplo, as cores representavam categorias como tributos ou atividades agrícolas. Já os diferentes tipos de nós significavam valores numéricos, enquanto a posição e o tipo de corda organizavam as informações. O quipus refletia o conhecimento matemático e organizacional dos incas. 

Cada cordão poderia ter um ou mais nós, ou até nenhum nó, ou um nó na ponta, um na base, em que tudo era comunicado e transportado rapidamente ao imperador Inca no centro do império Cusco. 

Como mencionada acima, o quipus foi usado para diversas funções, mas sua função também se estendia a outras demandas: contagem para armazenar dados numéricos, propósitos literários e artísticos, armazenamento de dados de inventário de vários recursos em uma comunidade ou região usando um sistema decimal representado por diferentes grupos e tipos de nós. 

Além disso, eram capazes de registrar informações censitárias, dados contábeis, organização militar e ritual, detalhes de calendário, informações fiscais e muito mais.

De acordo com pesquisas recentes, aproximadamente 15% do quipus encontrados poderiam conter histórias ou dados históricos, mostrando que essa comunicação não servia apenas para contabilidade, podendo serem usados para contar histórias ou guardar informações culturais relevantes.  

O transporte dos quipos era realizado pelos chasqui, rápidos mensageiros, que corriam por dois quilômetros pelas trilhas incas levando o quipo contendo as informações a serem transmitidas, até o próximo posto de mensageiros, onde aguardava um mensageiro descansado pronto para continuar o transporte do quipo.

Quem eram os quipucamayocs?

Os quipucamayocs eram uma espécie de escriba, em que registravam as colheitas, impostos e, até mesmo a história inca nos quipus. Por terem um grande conhecimento matemático para construir, interpretar e transmitir as informações, os quipucamayocs utilizavam o quipus como armazenamento da grande quantidade de dados contidos.

Esses “profissionais” foram altamente treinados em matemática e em memorização, e sua habilidade era fundamental para o funcionamento da sociedade inca. 

Eles trabalhavam para os governantes e elites do império, registrando e reportando informações imprescindíveis para a sociedade. Seu conhecimento era transmitido de geração em geração, permitindo a preservação do sistema. 

Entretanto, como não havia um “manual” escrito sobre o funcionamento do quipus, o conhecimento se perdeu a partir da chegada dos colonizadores espanhóis.

Como era lido o quipus?

É possível ler o quipus de diferentes formas, dois deles podendo ser pelo valor do nó e colocação.

  • Valor do nó: numericamente, o quipus funciona como um sistema decimal, existindo três tipos diferentes de nós — o nó simples, longo e em forma de oito. 

O nó na ponta indica seu valor numérico; o simples representa dezenas, centenas, milhares e dezenas de milhares; o nó longo representa de dois a nove, indicados pelo número de voltas do próprio nó. O nó em forma de oito representa o número um. 

  • A colocação: os valores mais altos ficavam no topo da corda, seguidos pelos
  • valores mais baixos à medida que vai avançando. Um espaço separa cada conjunto de valores — dezenas de milhares, milhares, centenas, dezenas e dígitos únicos na corda.

No topo da corda é encontrado o nó simples: dez mil, milhares, centenas, dezenas; no nó longo, de dois a nove representados pelo número de voltas dentro do nó longo; o nó em oito representa um.

Para ler, basta contar as quantidades contidas em cada corda. Por exemplo, se uma corda tem um nó simples seguido por um agrupamento de três nós simples seguido por um agrupamento de dois nós simples seguido por um nó em forma de oito, o valor dessa corda é 1.321.

O legado do quipus

Hoje em dia, o quipus é um dos símbolos mais importantes da cultura inca e são preservados em museus e exibições ao redor do mundo.

Muitos acreditam que essa forma de comunicação representa a criatividade e inteligência de uma civilização que, mesmo sem a escrita verbal, encontrou uma maneira eficiente de comunicação e organização para gerenciamento de um império extenso.  

O quipus é uma das maiores heranças do império Inca e continua a fascinar estudiosos por sua complexidade e originalidade: eles são uma prova do alto nível de organização do Império Inca e da criatividade de um povo que, mesmo sem escrita tradicional, desenvolveu um meio eficaz de comunicação e administração.

Nos tempos atuais, os quipus também ganharam um valor simbólico: representam a resistência das culturas andinas e sua rica herança intelectual, ainda viva nas comunidades indígenas da região.

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