A cantora argentina Emilia Mernes lançou nesta quinta-feira (1º) seu aguardado EP Perfectas, um projeto conceitual dividido em seis capítulos que combinam sonoridade pop, letras confessionais e uma crítica contundente aos padrões de beleza e perfeição impostos às mulheres.

Com parcerias de peso — como Luísa Sonza, Nicki Nicole, Tini Stoessel e Six Sex — o EP marca uma nova fase na carreira da artista. Esteticamente ousado e emocionalmente intenso, Perfectas mostra um lado mais cru e sincero de Emilia, que revelou em seu Instagram: “Nesse álbum, entrego todo meu coração, meus medos mais profundos e inseguranças. Sou grata a toda equipe que esteve comigo nesse processo”.
A jornada começa com “Bunda”, colaboração com Luísa Sonza. No clipe, as duas aparecem em um cenário de praia, celebrando a liberdade corporal e desafiando os padrões estéticos. Em um momento-chave do vídeo, elas surgem com traços “aperfeiçoados”, em uma sátira visual que questiona os ideais irreais de beleza promovidos pelas redes e pela mídia. A faixa conta com uma batida pop-funk, e com a cantora arriscando seu português.
Longe do glamour superficial, Perfectas é uma jornada um pouco irônica sobre a vida sob os holofotes. Canção por canção, Emilia vai desconstruindo a imagem de perfeição que muitas vezes se espera de uma artista pop. Em vez disso, ela oferece autenticidade, vulnerabilidade e crítica social.
Cada faixa carrega, por trás de batidas pop e melodias envolventes, uma narrativa sobre insatisfação, padrões inalcançáveis e conflitos internos. Através dos interlúdios, ela “vende” produtos que prometem transformar qualquer uma na mulher perfeita, que é, um artifício irônico para denunciar o quanto essa busca é imposta, superficial e exaustiva.
Essa versão de Emilia é muito diferente da que vimos em seu álbum anterior, .mp3. Aqui, ela assume uma postura mais crítica e consciente, especialmente ao refletir sobre a imagem que foi criada ao seu redor. Na faixa “Servidora”, a cantora aborda diretamente esse peso: “Estás hablando con un ícono, la referencia de todas las girls. Soy un fenómeno social, se habla de mí, soy la servidora, la real”, canta, com uma boa dose de sarcasmo.
A divulgação do projeto também contou com a participação da influenciadora espanhola Lola Lolita, com quem Emilia compartilha o rótulo e o peso de serem consideradas “perfeitas”. Ambas, no entanto, lidam com julgamentos frequentes, mostrando que, por trás da imagem idealizada, há muito mais complexidade do que se vê.
Na sequência, “Blackout” une Emilia a Tini e Nicki Nicole em uma faixa sobre autoconfiança, liberdade e desejo, rejeitando a ideia de que “ser sexy” precisa seguir um molde. A canção representa a pressão de ser a mais desejada, a mais sensual e, por isso, os ‘clientes’ se derretem por elas. Se uma mulher é sensual, é criticada; se não é, também é. A verdade é que nunca é suficiente — não importa o que se faça, sempre haverá um ‘mas’. A música também conta com produção de Zecca, que inclusive produziu o seu primeiro funk com “No Se Ve”, com participação de Ludmilla. Parece que as férias da gata por aqui a fizeram gostar bastante do genero…
“Pasarella”, parceria com Six Sex, mergulha em críticas ao consumismo e à obsessão por status social — temas abordados com sarcasmo e uma estética provocadora, representam a necessidade de estar sempre na moda, custe o que custar. Isso inclui, por exemplo, usar os saltos mais dolorosos só para ganhar alguns centímetros ou até aderir a uma tendência que nem sequer te agrada. A faixa conta com uma presença muito notável e importante que é o dance-pop, quase eletrônico que soa quando escutada — isso é uma característica perfeita das músicas da também argentina Six-Sex.
Em “Beautiful”, Emilia encara de frente a pressão de parecer perfeita em um mundo hiperconectado, onde cada post é julgado por curtidas e onde a performance online muitas vezes ofusca a realidade. Ela canta sobre a ansiedade causada pela busca constante por validação e pela imagem idealizada que se espera manter. O que se repara constantemente é o pop que só a Emília consegue fazer, uma presença forte de mistura de idiomas como inglês e gírias também que são conhecidas, somente por fãs de cultura pop.
O ponto alto do EP, no entanto, está na última faixa, também intitulada Perfectas. Emilia a define como a mais verdadeira e autêntica que já escreveu. Nela, encontramos a jovem da cidade de Nogoyá, na Argentina, que encantou fãs com músicas como “Cielo en la Mente”: uma mulher que deixou a padaria da família para seguir o sonho de ser uma estrela pop — e que, mesmo depois de conquistar sucesso, ainda enfrenta críticas e cobranças constante, uma balada melancólica e poderosa. Nesta canção, Emilia se despe da ironia e entrega uma mensagem direta de amor-próprio: “Me custou muito, mas aprendi a me dizer coisas bonitas e a continuar fazendo o que gosto, mesmo quando tentam me convencer de que não sou suficiente ou ‘perfeita’ para isso”, compartilhou com os fãs. “Não busquem fora o que já existe dentro de vocês”.
Com Perfectas, Emilia Mernes entrega reflexões sobre identidade, autoaceitação e resistência aos padrões impostos. Emilia escolhe ser real — é justamente nessa imperfeição que reside sua maior força.
