Emiliano Zapata: o revolucionário contra a ditadura militar mexicana

Há 102 anos, no dia 10 de abril de 1919, morria Emiliano Zapata. O líder do movimento conhecido como Revolução Mexicana, de 1910, era contra a ditadura de Porfírio Díaz, no México, e os latifundiários que se apossaram das terras dos camponeses, sendo lembrado até os dias de hoje e é um importante personagem na história mexicana. 

Mas, você sabe a história do guerrilheiro e sua luta pelos camponeses? Se a resposta tiver sido “não”, continue lendo o texto para saber mais sobre Emiliano Zapata!

Quem foi Emiliano Zapata?

Emiliano Zapata Salazar nasceu em 8 de agosto de 1879, na vila de Anenecuilco, no estado de Morelos, sendo o penúltimo de dez filhos de Gabriel Zapata e Cleofas Jertrudiz Salazar. Porém, apenas quatro crianças sobreviveram. A família de Emiliano é descendente de indígenas e espanhóis. 

Aqui vale destacar que Zapata nasceu já na ditadura mexicana, que durou entre 1876 a 1911.

Pela origem humilde da família, apenas foi proporcionada a educação primária aos filhos, o que por si já era considerado um privilégio, já que na época, 80% da população mexicana era analfabeta. 

Desde jovem Emiliano rapidamente se envolveu na luta dos indígenas no estado em que nasceu, porque Porfírio Díaz foi responsável de que fazendeiros pudessem tomar as terras independentes das comunidades dos povos originários, resultando no aumento da miséria dos agricultores.

Além disso, o próprio pai de Zapata foi vítima dessa ação e teve suas terras apropriadas pelos latifundiários.  

Aos 17 anos, Emiliano teve seu primeiro enfrentamento contra as autoridades, fazendo-o sair de Morelos obrigado e se esconder por alguns anos no rancho de um amigo.

Em 1906, Zapata organizou uma reunião com os camponeses da aldeia de Cuautia para discutir uma forma de defender suas terras dos desmandos do governo a favor dos grandes fazendeiros. 

Já em 1908, como punição, foi obrigado a entrar para o novo regime do exército mexicano, permanecendo por seis meses. 

Em setembro de 1909, reuniu clandestinamente aproximadamente 400 habitantes de sua aldeia para elaborar um plano em defesa de suas terras. Foi então eleito presidente da Junta das Terras de Anenecuilco.

Com isso, Zapata deu início a campanha pelo direito dos camponeses expulsos de suas terras, levando-o à prisão diversas vezes. 

Logo depois, tomou a decisão de formar um exército e começou a luta armada no sul do México, quando virou o general do Exército Libertador do Sul.

Emiliano Zapata e a Revolução Mexicana

Em 1910, ainda sob a ditadura de Porfírio Díaz, Zapata torna-se aliado de Francisco Madero, político que fazia oposição ao presidente nas eleições daquele ano. Porém, o ditador é reeleito mesmo após uma série de crimes eleitorais, o que provocou o início da Revolução Mexicana.

O objetivo principal dessa revolução era a derrubada do ditador. Mas, além disso, a luta também era a busca pela revalorização da cultura indígena e a reforma agrária, ou seja, a distribuição de terras entre os camponeses. 

Com isso, o grande lema do levante ficou conhecido como “Reforma, Liberdade, Justiça e Lei”.

Lema da Revolução Mexicana

Em 1911, Porfírio Díaz foi derrubado por Francisco Madero, fazendo de Madero presidente do México entre os anos de 1911 e 1913. Entretanto, o novo presidente e seu vice foram assassinados pelo general Victoriano Huerta, assumindo o poder em 1913, o que fez a ditadura militar voltar ao país. 

Enquanto isso, os exércitos revolucionários do norte, liderados por Francisco “Pancho” Villa, e do sul, comandados por Emiliano Zapata, recebem apoio das tropas legalistas de Venustiano Carranza, derrotando Huerta.  

No governo de Carranza, foi implantado novamente um governo autoritário, que empreendeu diversas missões de extermínio do exército zapatista. Mesmo com a oposição de Zapata ao governo, todos os anos de batalha fizeram com que o exército ficasse desarticulado e enfraquecido em 1914. 

Zapata e Villa unem suas forças e começam a atuar na Cidade do México, enfrentando as tropas constitucionalistas de Carranza. Nessa época, Zapata criou as primeiras Associações Agrárias, estabeleceu o Crédito Agrícola e inaugurou a Casa Rural de Empréstimo de Morelos.

Carranza, então, resolve oferecer uma recompensa pela “cabeça” de Zapata, fazendo com que o revolucionário virasse o principal alvo do exército e de diversas camadas da sociedade.  

Em 1917, as forças de Carranza derrotam Pancho Villa. 

Já em 1919, Zapata é convidado pelo general  Jesús Guajardo, fingindo compactuar com a causa do Exército Libertador do Sul, para um encontro em Morelos. Durante o caminho — Zapata estava indo à cavalo —, Emiliano é atingido por diversos tiros. 

Seu corpo foi exposto e fotografado para que não houvesse dúvidas de sua morte. 

Com a morte de Zapata, o exército indígena ficou ainda mais enfraquecido e exterminado pelas forças do Exército nos anos seguintes. 

Pancho Villa foi assassinado em 1923, também em uma emboscada.

O movimento zapatista

Nascido no estado de Chiapas, também no México, em 1994, o movimento zapatista foi uma mobilização dos camponeses indígenas baseado na antiga luta de Emiliano Zapata pela urgência por transformações que atingissem diretamente as populações mais necessitadas e promovessem a reforma agrária no país. 

O nome escolhido pela articulação foi Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), reconhecendo a importância do revolucionário e sua luta.

Os zapatistas ganharam fama quando uma milícia com homens encapuzados ocuparam as prefeituras do estado.

As principais reivindicações do movimento foram: o fim da marginalização dos indígenas locais, descendentes dos maias; a extinção do NAFTA, o tratado de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá, visto por eles como exemplo de submissão ao poder americano; e combater a corrupção na política local.

Em 1997, os zapatistas se uniram e fizeram uma manifestação na Cidade do México reiterando suas exigências. Entretanto, o governo decidiu reprimir violentamente o movimento. Em dezembro do mesmo ano, um confronto entre as tropas do exército e integrantes do grupo revolucionário resultou na morte de quarenta e cinco membros do Exército Zapatista de Libertação Nacional da aldeia de Acteal. 

Atualmente, Chiapas continua sendo um dos estados mais pobres do México, afetando principalmente os indígenas na região.

Para saber mais sobre a cultura de países hispânicos, continue lendo o Exclamación!

Autor: Beatriz Gouvêa

Jornalista de formação e amante da cultura hispana desde criança. Passo a maior parte do tempo escutando música em espanhol e amo tudo o que envolve o universo latino.

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