Qual é o país que mais lê na América Latina? Um ranking revela diferenças nos hábitos de leitura

A leitura mantém um espaço relevante na América Latina, mesmo diante da expansão de conteúdos digitais e da mudança nos hábitos culturais. Um levantamento do Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe (Cerlalc), organismo vinculado à UNESCO, oferece um retrato detalhado sobre quem lê mais na região e por quê. Os dados mostram um cenário heterogêneo, com diferenças tanto na frequência quanto nas motivações para ler.

O ranking coloca a Argentina na liderança, com 55% da população leitora e uma média de 5,4 livros por ano. O Chile aparece em seguida, com 51% e 4,5 livros anuais. Brasil (46%), Colômbia (45%) e Peru (35%) completam o grupo dos cinco países com maior presença do hábito de leitura. O México surge mais abaixo, com 20% de leitores regulares. Fora da região, a Espanha lidera entre os países de língua espanhola, com 61% da população leitora e média superior a 10 livros por ano.

Os números dialogam com outros estudos e ajudam a compreender tendências mais amplas. Em parte da América Latina, a leitura se vincula a exigências educacionais ou profissionais. Em outros contextos, aparece associada ao lazer. Essa diferença ajuda a explicar variações na frequência e no perfil dos leitores.

Há também mudanças nos formatos. O livro impresso mantém presença significativa, enquanto o digital avança, impulsionado pelo uso de celulares. Pesquisas nacionais indicam que muitos leitores transitam entre os dois formatos. Ao mesmo tempo, conteúdos digitais, como redes sociais e páginas online, ocupam uma parte crescente do tempo de leitura.

Os obstáculos ao hábito aparecem de forma consistente entre os países. A falta de tempo lidera as respostas entre adultos, seguida pelo desinteresse e por dificuldades de concentração. Entre jovens, o ambiente digital influencia a forma como a leitura se insere no cotidiano. Mesmo assim, levantamentos indicam que grande parte da população gostaria de ler mais.

Outro ponto recorrente é o papel do acesso. A presença de livros em casa, a disponibilidade de bibliotecas e as políticas públicas de incentivo influenciam diretamente os índices de leitura. Em regiões com menor renda, a quantidade de livros nos lares tende a ser menor, o que impacta o contato com a leitura desde a infância.

A seguir, um retrato dos cinco países com maiores índices de leitura na América Latina, segundo o levantamento do Cerlalc e dados complementares de pesquisas nacionais.

Argentina

A Argentina lidera o ranking do Cerlalc e apresenta um perfil centrado no prazer da leitura. Dados do Ministério da Cultura indicam que o consumo de livros permanece ativo. Em 2022, a média de compra foi de 4,6 livros por pessoa. O formato impresso predomina, com 48% de preferência, enquanto 20% utilizam o digital, principalmente por meio do celular.

Os jovens entre 13 e 29 anos formam o grupo com maior frequência de leitura. Esse público combina textos escolares com gêneros como narrativa, quadrinhos, poesia e biografias. A presença de livros nos lares também se destaca: mais da metade da população possui até 25 exemplares, e uma parcela menor mantém coleções mais amplas.

Entre os motivos apontados para a ausência do hábito, aparecem a falta de interesse e o tempo reduzido, com variações conforme a faixa etária.

Chile

O Chile ocupa a segunda posição no ranking do Cerlalc. A “Encuesta de Hábitos y Percepciones Lectoras en Chile 2022” mostra que pelo menos metade da população lê livros com frequência semanal.

A pesquisa também indica que o principal motivo para ler varia entre interesse pessoal e necessidade. O tema do livro é o fator mais relevante na escolha, seguido por recomendações e autoria.

Dados educacionais apresentados na “Radiografía a la Lectura en Chile 2025” apontam desafios na compreensão leitora em diferentes níveis de ensino. Segundo a pesquisa, o hábito se distribui ao longo da semana, com preferência por leituras em casa e durante a noite. O tema do livro é o principal critério de escolha, seguido por recomendações e autores.

Ao mesmo tempo, avaliações educacionais indicam desafios na compreensão leitora. Dados de provas padronizadas mostram que parte dos estudantes apresenta dificuldades em níveis mais avançados de leitura. Entre adultos, os resultados também apontam limitações, associadas à trajetória educacional e às condições socioeconômicas.

A falta de tempo aparece como o principal obstáculo para ampliar a frequência de leitura. Há também uma parcela da população que expressa interesse em ler mais.

Brasil

O Brasil aparece na terceira posição segundo o Cerlalc, mas a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil 2024” indica que o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

Segundo o estudo, 47% da população é considerada leitora. Entre os que não leem, 34% citam falta de tempo, 28% apontam desinteresse e 14% mencionam dificuldade de concentração.O levantamento também destaca diferenças regionais. Estados como Santa Catarina, Ceará e Paraná apresentam índices mais altos que a média nacional, que é de 2,6 livros.

A compra de livros mostra leve crescimento, mesmo com a redução geral do hábito. Porém, a pesquisa mostra que o hábito de leitura tende a diminuir com a idade. Ainda assim, uma parcela da população mantém contato frequente com livros, o que sustenta o país entre os primeiros do ranking regional.

Colômbia

A Colômbia ocupa a quarta posição no ranking do Cerlalc. Além disso, de acordo com o estudo da Cámara Colombiana del Libro de 2023, adultos leem em média 3,75 livros por ano.

O relatório indica que 72% da população lê, enquanto 28% não mantém o hábito. Entre os leitores, 62% apontam o prazer como principal motivação. A maioria consome entre um e cinco livros por ano.

O livro impresso é preferido por 55% dos leitores. O acesso a bibliotecas aparece como limitado, com cerca de 21% da população frequentando esses espaços.

Peru

O Peru fecha o grupo dos cinco países com maior índice de leitura segundo o Cerlalc. O relatório aponta que 47,3% da população leu ao menos um livro no período analisado, com uma média anual de cerca de 1,9.

Segundo a “Encuesta Nacional de Lectura 2022”, realizada pelo Ministério da Cultura e pelo INEI, menos da metade dos peruanos leu ao menos um livro no período analisado, enquanto o consumo de conteúdos digitais — como redes sociais e páginas web — ocupa uma parte significativa do tempo de leitura.

O principal motivo para ler é a busca por informação, seguido pelo entretenimento. O grupo entre 18 e 29 anos apresenta maior frequência de leitura. O acesso a bibliotecas e eventos literários é restrito em várias regiões, o que influencia os índices.

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