De certo você já deve ter visto as lutas livres mexicanas em que os lutadores utilizam máscaras, certo? A lucha libre é marca registrada da cultura do México, com suas máscaras coloridas, personagens carismáticos e acrobacias impressionantes, e já foi declarada patrimônio cultural imaterial da Cidade do México pelo chefe do Governo da capital mexicana, em 2018.
Descubra mais sobre esse importante espetáculo cultural que atrai milhares de espectadores em cada batalha.
Origem da lucha libre
Inspirada pelos grandes lutadores de Luta Livre dos Estados Unidos, a lucha libre surgiu no México no século XX com identidade própria, incorporando elementos do folclore, política e do cotidiano mexicano.
Desenvolvendo-se em uma forma única no gênero, foi caracterizada por máscaras coloridas, sequências rápidas de pegadas e manobras — algumas sendo adotadas nos Estados Unidos, Japão e alguns outros lugares.
A lucha libre nada mais é do que um show com uma série de lutas simuladas por atletas profissionais, ou seja, os lutadores ensaiam os golpes e o resultado das lutas é combinado, porém isso não tira o brilho e a “graça” das disputas.
Mesmo tendo sido criada há mais de 100 anos, a lucha libre só ganhou força a partir dos anos 1930, quando o promotor Salvador Lutteroth fundou a empresa Consejo Mundial de Lucha Libre, até hoje ativa, que na época era chamada de Empresa Mexicana de Lucha Libre.
Por ser uma arte marcial acrobática e rápida, o objetivo não é visar a incapacidade do oponente no menor tempo, ao contrário: os “luchadores” são conhecidos por levar suas lutas até o último minuto, promovendo um show para os espectadores.
Os lutadores seguem duas linhas de combate: os rudos e os técnicos. Na categoria rudos são incluídos os homens mais fortes do México, que veem na lucha libre uma oportunidade de mostrar sua força. Os rudos são especialistas em torções, golpes impactantes e nocautes rápidos.
Já os técnicos gostam de ataques aéreos, projeções, saltos acrobáticos e muitos, mas muitos gritos de guerra.
Em 1942, a lucha libre mudaria para sempre quando um lutador de máscara prateada, conhecido simplesmente como El Santo — O Santo —, entrou no ringue pela primeira vez. Ele fez sua estreia na Cidade do México vencendo uma batalha contra 8 homens.

O público se apaixonou pela mística e pelo segredo da personalidade de Santo, e ele rapidamente se tornou o luchador mais popular do México.
Sua carreira na lucha libre durou quase cinco décadas, durante as quais ele se tornou um herói popular e um símbolo de justiça para seus fãs por meio de suas aparições em histórias em quadrinhos e filmes, enquanto o esporte recebia um grau incomparável de atenção do público em geral.
Outros luchadores lendários que ajudaram a popularizar o esporte incluem Gory Guerrero, a quem é creditado o desenvolvimento de movimentos e pegadas que agora são comuns na luta profissional.
Blue Demon, um contemporâneo de Santo e possivelmente seu maior rival; e Mil Máscaras (Homem das Mil Máscaras), a quem é creditado a introdução dos movimentos de voo alto da lucha libre para o público em todo o mundo.
O significado das máscaras
As lendárias máscaras são mais do que apenas disfarces, são um significado cultural mexicano. Todos os lutadores, obrigatoriamente, iniciam na carreira portando uma máscara, o que representa a honra do lutador.

No início, as máscaras eram muito simples com cores para distinguirem um lutador do outro. Na lucha libre moderna, as máscaras são coloridas e com design de animais, deuses, heróis antigos e outros conhecidos, que distinguem o lutador durante a sua carreira.
A máscara é considerada sagrada no esporte e, por isso, não há maior desonra para o lutador do que perdê-la na luta. E caso o adversário a arranque do outro lutador, é automaticamente desqualificado da batalha.
As primeiras máscaras eram coladas à pele dos lutadores com grossas costuras que marcavam o rosto dos lutadores quando recebiam algum golpe, além disso o material não os deixavam transpirar.
Conforme ia sendo lavada, o couro da máscara tornava-se rígido e piorava ainda mais as condições dela.
Entre os anos 40 e 60, as máscaras foram se transformando e passaram a ser confeccionadas com materiais mais cômodos, como o cetim, trazendo maior conforto e não era preciso de costuras tão grossas como o couro.
Entretanto, o material não esticava, então a pessoa que fosse usá-la tinha que ter mais cuidado na hora de vestir para não danificar a peça.
O primeiro lutador mascarado mexicano foi o célebre Murciélago Velázquez, que surgiu em 1939 com uma máscara fúnebre de cor negra. Três anos depois, o lutador Ruddy González também usou uma máscara e criou a identidade de El Santo, virando uma lenda na história da lucha libre no México.
Ao longo de suas carreiras, os lutadores mascarados frequentemente são vistos em público usando suas máscaras e mantendo a cultura da lucha libre, enquanto outros lutadores mascarados interagem com o público e a imprensa normalmente.
No entanto, eles ainda fazem de tudo para esconder suas verdadeiras identidades; na verdade, a máscara é sinônimo de luchador. El Santo continuou usando sua máscara após a aposentadoria, revelando seu rosto apenas brevemente na velhice, e acabou sendo enterrado usando sua máscara prateada.
Mas, qual o significado dessas máscaras? Cerca de três mil anos atrás, os guerreiros olmecas utilizavam máscaras em cerimônias, batalhas e ritos funerários.
Recorrendo à estas tradições populares, os lutadores ocultam seus rostos criando personagens que são animais e também seres mitológicos (Blue Panther, Mr. Águila, Black Tiger, Atlantis, Último Dragón, Águila Solitaria, Fishman), seres ocultos (Tinieblas, Satánico, Villanos, Arcángel de la Muerte, Black Shadow, Espectro) ou então cavaleiros do bem (Sagrado, Santo, Místico, Valiente, Máscara Sagrada).
Regras
As regras da lucha libre são semelhantes às das lutas simples americanas. As lutas podem ser vencidas imobilizando o oponente no tatame por uma contagem de três, fazendo-o desistir, derrubando-o do ringue por uma contagem predeterminada (geralmente vinte) ou por desqualificação.
Usar as cordas do ringue como alavanca é ilegal e, uma vez que o luchador esteja nas cordas, seu oponente deve liberar qualquer imobilização e ele não poderá imobilizá-lo.
Desqualificações ocorrem quando um oponente usa um agarrão ou movimento ilegal, sendo motivo para desqualificação imediata.
Embora algumas variantes sejam legais em certos momentos; ou quando ele atinge seu oponente na virilha (falta); quando ele usa interferência externa; quando ele ataca o árbitro; ou quando ele arranca completamente a máscara do oponente.
A maioria das lutas são de duas quedas de três, que haviam sido abandonadas para as lutas por título na América do Norte e no Japão na década de 1970.
Uma regra única na lucha libre se aplica durante as lutas em equipe: quando um lutador legal de uma equipe toca o chão fora do ringue, um companheiro de equipe pode entrar no ringue para assumir seu lugar como competidor legal.
Como o lutador legal pode pisar no chão voluntariamente, não é necessário marcar um companheiro de equipe para entrar na luta. Isso geralmente permite que uma ação muito mais frenética aconteça no ringue do que seria possível sob as regras de marcação padrão.
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