Você já ouviu falar do Dia das Mulas no México? Essa festa, que pode parecer curiosa à primeira vista, está diretamente ligada a uma das celebrações religiosas mais importantes do mundo católico: o Dia de Corpus Christi, ou “Corpo de Cristo”. Mas por que mulas? E qual a história por trás dessa tradição tão única?

O Dia das Mulas acontece na quinta-feira seguinte ao oitavo domingo depois da Páscoa, junto com Corpus Christi, que celebra a presença real de Cristo na Eucaristia, um dos momentos centrais da fé católica. No México, essa data ganhou um significado especial graças a duas histórias que explicam a presença dos animais na festa.
A primeira é uma lenda ligada a Santo Antônio de Pádua. Conta-se que ele convenceu um homem descrente da presença de Cristo na hóstia consagrada ao fazer com que uma mula se ajoelhasse diante dela, ignorando a comida que estava à sua frente. Para o descrente, aquele gesto foi a prova da fé verdadeira.
Já a segunda versão está ligada às tradições indígenas da época colonial. Os fiéis usavam mulas para transportar alimentos e oferendas para as celebrações na capital. Assim, os animais ficaram associados ao dia e passaram a fazer parte da festa.
Durante essa data, crianças vestidas com roupas de manta e huaraches, que são sandálias tradicionais feitas de tiras de couro entrelaçadas com sola resistente, desfilam nas missas. Artesãos também vendem mulas feitas de folha de milho, decoradas com flores coloridas e utensílios de barro — pequenas obras que homenageiam essa mistura de fé e cultura popular.

Além disso, o nome Manuel, que significa “Deus conosco”, está ligado à festa, já que é comum cumprimentar quem se chama assim no Dia das Mulas, reforçando a ideia da presença divina celebrada no Corpus Christi.
Essa tradição é um exemplo de como a fé e as culturas locais se entrelaçam no México, criando uma celebração única, cheia de símbolos e histórias que valem a pena conhecer.
