10 livros latino-americanos recomendados por Julieta Venegas

Além de cantora, Julieta Venegas é uma leitora assídua e compartilha suas leituras, opiniões e notas em seu Goodreads, contabilizando mais de 1.600 livros lidos em seu perfil. Entre os livros que a artista já leu estão clássicos, contemporâneos, poesia, e claro, latino-americanos. 

Por isso, montamos uma lista de 10 livros do nosso continente que Julieta leu e indica. Um adendo: escolhemos apenas obras que são 4 e 5 estrelas em seu perfil. Venha conferir e ler os livros recomendados pela cantora! 

1. Distância de Resgate

Em Distância de Resgate, a argentina Samanta Schweblin traz um suspense psicológico narrado pela protagonista Amanda, que vai passar férias com sua filha Nina em uma casa de campo no interior da Argentina. Lá, Amanda conhece Carla, que é mãe de David. e é aí em que tudo muda. 

Um romance eletrizante que te deixará com ânsia em descobrir o que aconteceu com Amanda e sua filha, e com David e sua mãe. 

2. O Vento que Arrasa

Nesta obra, a também argentina Selva Almada aborda um romance que se passa em apenas um dia e meio e conta a história de Leni, uma garota de dezesseis anos, e seu pai, um pastor que vive a percorrer o país em busca de um sinal de Deus.

No meio da viagem, pai e filha fazem uma parada em uma oficina mecânica e, neste lugar, o pastor conhece o mecânico Gringo Brauer e seu ajudante, Tapioca, duas figuras curiosas.

Divino e o terreno, o imaginário e o concreto, medem forças constantes na vida dos personagens neste romance que, com poucos elementos, alcança uma beleza lírica, e ao mesmo tempo realista, como há muito não se via na literatura latino-americana.

3. A Insubmissa

“A Insubmissa” é um livro de autoficção em que a uruguaia Cristina Peri Rossi, em que narra sua infância e juventude em uma zona rural do Uruguai, contadas a partir da estranheza e da perplexidade diante de um mundo sempre em conflito com seus desejos: usar calças, não comer animais, ter uma biblioteca, escrever, amar outras meninas.

O livro explora sua inocência e espírito explorador, como o mundo é visto aos olhos de uma criança esperta e ao seu modo, uma pequena rebelde. 

Através de experiências familiares, fabulações e do tempo de um dolorido amadurecimento, se desenha uma personalidade contestadora e determinada a viver os seus desejos mais profundos a despeito das interdições impostas ao comportamento e ao corpo de uma mulher.

4. A Tirania das Moscas

Saindo um pouco do eixo sul-americano, trazemos agora “A Tirania das Moscas”, um livro cubano de Elaine Vilar Madruga, que constrói uma fábula política com pitadas de realismo mágico, humor macabro e uma dose de lirismo, explorando o autoritarismo e opressão em diferentes níveis. 

Em uma pequena nação dominada por um ditador, uma família disfuncional enfrenta a tirania do pai militar e a apatia de uma mãe traumatizada. Os três filhos, Cassandra, a mais velha, perspicaz e manipuladora, sexualmente atraída por objetos, sobretudo enferrujados; Caleb, o do meio, detentor de um dom único e mórbido; e a caçula Calia, que se recusa a falar e desenha animais hiper-realistas com talento excepcional, se unem para resistir à violência doméstica.

 Em desespero por ter sido afastado do governo, o pai instaura uma violenta autocracia na própria casa, obrigando os filhos, que até então viviam em discórdia, a se unir contra a intransigência paterna e a alienação materna. Em ritmo frenético, a narrativa dispara rumo a um desfecho imprevisível.

5. Noturno do Chile

“Noturno do Chile” é um forte e poderoso monólogo composto de apenas dois parágrafos: o primeiro ocupa quase todo o livro, e o segundo é uma frase de apenas oito palavras.

O padre Sebastián Urrutia Lacroix, o narrador, repassa de modo febril sua vida de poeta e crítico literário “comedido e conciliador”, procurando uma resposta para as inquietações que o assaltam na proximidade da morte.

Introduzido no mundo das letras pelo proprietário rural Farawell, considerado o papa da crítica literária chilena, o padre vive sob proteção de Pinochet, a quem dá inusitadas aulas de marxismo. Misturando personagens reais e ficcionais, Roberto Bolaño aborda um panorama da ditadura do Chile e a vida literária do país.

6. As Primas

Neste romance argentino Aurora Venturini reproduz as lembranças de sua infância na La Plata dos anos 1940, construindo, entre o trágico e o cômico, o retrato de mulheres abandonadas que, para além da pobreza, são obrigadas a lidar com deficiências físicas, mentais e imaginárias, convidando o leitor  a confrontar os aspectos mais sombrios da existência.

O livro é narrado por Yuna, uma jovem com deficiência cognitiva que observa e registra, com uma visão ao mesmo tempo inocente e perspicaz, a vida disfuncional de sua família. 

A personagem vive em uma família marcada pela pobreza, abuso e doenças, assombrando as figuras observadas por Yuna, que torna-se tema de sua arte, garantindo melhorias materiais para a família e a esperança de se redimir da estranheza que as singulariza.

7. As Lembranças do Porvir

Considerado o início do realismo mágico por ter sido escrito quatro anos antes de “Cem Anos de Solidão”, o livro mexicano apresenta a história de um pequeno povoado dominado de forma cruel pelo general Francisco Rosas e seus homens, onde a violência, a opressão e a resistência se entrelaçam em uma narrativa coletiva marcada pela memória, pelo tempo e pelo desejo de liberdade.

  Uma história de resistência e violência, porém acima de tudo de amor e de como em meio ao horror e a crueldade o amor seja o sentimento mais forte, mesmo que nem sempre isto seja uma coisa boa.

8. Literatura Infantil

Voltando para o Chile, temos “Literatura Infantil”, uma série de contos e textos autobiográficos de Alejandro Zambra, que nos convida a refletir sobre como o nascimento e o crescimento de um filho não somente modificam o presente e o futuro, mas também nossas ideias relativas ao passado.

Acompanhamos anotações e pensamentos do próprio Zambra durante todo o primeiro ano de vida de seu filho, Silvestre, o comovente relato da paixão de um pai pela pesca; a história de um filho que ganha do pai uma viagem para Nova York com a condição de que corte o cabelo; um conto que mistura ausência paterna e muitos (mas muitos) palavrões; e uma fascinante investigação sobre pais, filhos e futebol.

Uma comovente carta de amor de um pai para um filho de um dos principais nomes da literatura latino-americana contemporânea.

9. O Discurso Vazio

Um escritor inicia um caderno de exercícios de caligrafia, convencido de que, ao aprimorá-la, seu caráter também melhorará. O que era para ser um mero exercício físico se encherá involuntariamente de reflexões e anedotas sobre a vida, os relacionamentos, a escrita e o significado — ou a falta de significado — da existência.

Ao registrar a constante postergação de uma vida verdadeira e autêntica que só se pode vislumbrar, o diário íntimo dá acesso a uma espécie de “mecanismo secreto”, que revela um “mundo poderoso e perigoso”, oculto por trás da trivialidade dos dias.

10. El Traductor

“El Traductor” é o primeiro e único romance do escritor argentino Salvador Benesdra, em que narra as aventuras de Ricardo Zevi, um ex-militante trotskista que trabalha como tradutor na Turba, uma editora de esquerda, que tem como pano de fundo a queda da União Soviética e o início da presidência de Menem, na Argentina. 

Os conflitos do romance se desenrolam em dois níveis: por um lado, o relacionamento de Zevi com sua namorada, uma adventista do sétimo dia, por outro, as disputas trabalhistas na Turba, que, apesar de sua retórica progressista, decidiu demitir um funcionário e, simultaneamente, o incumbiu de traduzir a obra de um pensador alemão de direita que defende as desigualdades sociais (que ele considera algo positivo) e os privilégios da aristocracia.

E aí, gostou das recomendações da Julieta? Qual livro você pretende ler ou já leu? Para conhecer mais sobre a literatura hispana, continue aqui no Exclamación!

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