Se você está aprendendo espanhol ou planeja viajar para o Peru, vai perceber rapidinho que o espanhol dos livros didáticos é bem diferente do espanhol que se ouve nas ruas de Lima, Cusco ou Arequipa. O Peru tem uma das gírias mais ricas e criativas da América Latina, misturando influências do quechua, do inglês, da cultura afro-peruana e de décadas de humor popular urbano.
Neste guia, reunimos as expressões e palavras mais usadas no dia a dia peruano, organizadas por tema, para que você entenda o significado, o contexto de uso e consiga, com o tempo, soar um pouco menos “gringo” quando estiver por lá.
Por que aprender gírias peruanas?
Dominar o vocabulário formal de um idioma é só o primeiro passo. A gíria é o que realmente conecta as pessoas: é usada em conversas informais, piadas, memes, letras de música e no comércio de rua. Entender essas expressões ajuda a:
- Compreender conversas reais, não apenas o espanhol “de livro”;
- Evitar mal-entendidos, já que algumas palavras mudam completamente de sentido dependendo do país;
- Se aproximar mais da cultura local e criar laços com peruanos;
- Aproveitar melhor viagens, negociações e situações do cotidiano, como pedir informações ou fechar uma compra em um mercado.
Dicionário de A a Z
As entradas abaixo seguem ordem alfabética, com o significado e um exemplo de uso em espanhol peruano.
Al toque — Na hora, imediatamente. Ex.: “Tenemos que salir al toque” (Temos que sair agora mesmo).
Asu mare — Exclamação de surpresa, espanto ou indignação, um “nossa!” ou “caramba!”. Ficou famosa fora do Peru graças a uma franquia de filmes de mesmo nome.
Bamba — Algo falso, uma imitação ou produto pirata. Muito usado em mercados de rua para alertar sobre falsificações.
Bróder — Amigo próximo, empréstimo direto do inglês “brother”, usado como em português se usa “mano”.
Chamba — Trabalho, emprego. Estar sem chamba equivale a estar desempregado.
Chibolo — Criança ou adolescente, o equivalente a “moleque” ou “pirralho”.
Choche / chochera — Amigo próximo; chochera é o grupo de amigos, a turma.
Cholo — Termo sensível, historicamente ligado a pessoas de origem andina. Aparece com frequência na fala informal, mas pode soar ofensivo dependendo de quem fala, do tom e do contexto — vale usar com cautela, principalmente sendo estrangeiro.
China — Moeda de 50 cêntimos de sol, um dos apelidos populares para pequenas quantias de dinheiro.
Debocar — Vomitar, geralmente depois de beber além da conta.
Estar aguja / estar misio — Estar sem dinheiro, estar duro.
Estar asado — Estar bravo, irritado.
Está tranca — Descreve algo muito difícil, como uma prova ou um problema complicado de resolver.
Fercho — Motorista, chofer.
Ferro — Moeda de 10 cêntimos de sol, outro apelido popular para dinheiro miúdo.
Figureti — Pessoa que se exibe, tenta aparecer mais do que realmente é.
Florear / meter floro — Mentir de forma envolvente, enrolando o outro com jeitinho para convencer.
Grifo — Posto de gasolina.
Guachimán — Segurança, vigilante; vem do inglês “watchman”.
Hacer chancha — Juntar dinheiro entre amigos para comprar algo, o equivalente a “fazer uma vaquinha”.
Huasca — Estar muito bêbado.
Jama / jamear — Comida (substantivo) e comer (verbo). Ex.: “Esta jama se ve muy bien” (Essa comida está com cara ótima).
Latear — Caminhar, andar.
Lechero — Pessoa com muita sorte.
Luca — Moeda de 1 sol, apelido popular para dinheiro.
Pata / causa — Amigo. Ex.: “Él es mi pata” (Ele é meu amigo).
Piña — Pessoa com azar, má sorte.
Pituco — Pessoa rica ou que ostenta status.
Pollo — Pessoa com pouca resistência ao álcool, que passa mal rápido ao beber.
Pura finta — Pessoa mentirosa, falsa o tempo todo.
Qué palta — Situação vergonhosa ou constrangedora.
Roche — Vergonha, constrangimento.
Rubias — Apelido informal para cerveja, numa alusão à cor clara da bebida.
Sapo — Pessoa que se intromete na vida alheia. Ex.: “No seas sapo” (Não seja intrometido).
Sacar la vuelta — Trair o parceiro ou parceira.
Soroche — Mal de altitude, comum em viagens à região andina, como Machu Picchu.
Tiene calle / no tiene calle — Ter (ou não ter) experiência de vida, “malícia de rua” para lidar com determinada situação.
Um dicionário vivo, em constante mudança
Vale lembrar que gírias mudam com o tempo, variam de região para região dentro do próprio Peru e podem ter conotações diferentes dependendo do contexto social. Algumas expressões, como é o caso de “cholo”, carregam cargas históricas e sociais importantes e merecem ser usadas com sensibilidade.
De qualquer forma, conhecer esse vocabulário informal é uma porta de entrada e tanto para a cultura peruana: ajuda a entender piadas, letras de música, conversas de bar e até negociações no mercado. Se você pretende visitar o país ou já está estudando espanhol de nível avançado, vale a pena ir incorporando essas expressões aos poucos — sempre prestando atenção em quem fala, para quem fala e em que situação, já que é isso que define, na prática, se uma gíria soa engraçada, carinhosa ou ofensiva.
