Boyacá, Colômbia: Terra de batalhas e pueblitos encantados

Existe um lugar na Colômbia onde o tempo parece ter desacelerado de propósito. Onde as ruas ainda são de paralelepípedo, as igrejas barrocas dominam praças imensuráveis e cada curva da estrada revela uma nova aldeia pintada em cores que parecem não pertencer ao mundo real. Esse lugar é Boyacá — e ele muda qualquer pessoa que o visita com atenção.

Situado a cerca de 4 horas a nordeste de Bogotá, o departamento de Boyacá é o coração histórico e cultural da Colômbia. Não é um destino de praias nem de selvas exuberantes: é um destino de altitude, de frio suave, de caldos fumegantes e de uma beleza arquitetônica que sobreviveu séculos. Quem o visita costuma ficar muito mais tempo do que o planejado.

“Pesquisando sobre os pueblos mágicos, vi que quase todos tinham uma van saindo de Sogamoso. Não era necessário comprar nenhuma passagem com antecedência — bastava chegar no terminal e perguntar.”

Onde a Colômbia nasceu

Boyacá não é apenas bonita — ela é o berço da nação colombiana. Em 7 de agosto de 1819, nas margens do rio Boyacá, as forças de Simón Bolívar derrotaram definitivamente o exército espanhol na que ficou conhecida como a Batalha de Boyacá. O confronto durou menos de duas horas, mas mudou o destino de um continente: três dias depois, Bolívar entrava triunfante em Bogotá e a independência da atual Colômbia estava selada.

Antes disso, a região foi palco da dramática Campanha Libertadora de 1819, quando Bolívar cruzou os Andes a partir dos Llanos venezuelanos — um feito militar considerado comparável à travessia dos Alpes por Napoleão. O cruzamento aconteceu em pleno inverno, por picos acima de 4.000 metros, com tropas exaustas e mal equipadas. A vitória no Pantano de Vargas, poucos dias antes de Boyacá, foi o prelúdio sangrento que tornou tudo possível.

Hoje, a região carrega essa memória com orgulho discreto. Não é raro encontrar praças com bustos de heróis da independência, museus em casarões coloniais e até o campo de batalha preservado como monumento nacional. Para quem viaja pela América do Sul e quer entender como ela se tornou o que é, Boyacá é leitura obrigatória.

A base perfeita: Sogamoso

A cidade de Sogamoso, com cerca de 130.000 habitantes, é o ponto de partida ideal para explorar a região. Não é a mais bonita de todas, mas tem excelente infraestrutura, terminal de ônibus bem organizado e uma localização central que permite alcançar a maioria dos pueblos mágicos em menos de uma hora. Além disso, abriga o fascinante Parque Arqueológico de Sogamoso, com vestígios sagrados da civilização Muisca — povo indígena que habitava o altiplano antes da colonização espanhola e cujos rituais ao sol ainda ressoam no nome da cidade.

Como chegar em Sogamoso
Saindo de Bogotá (Terminal Norte), a viagem dura cerca de 4 horas. Passagens disponíveis diretamente no terminal, sem reserva.
De Sogamoso, vans partem do terminal para quase todos os pueblos da região — sem necessidade de reserva antecipada. Basta chegar e perguntar pela próxima saída.
A altitude é de aproximadamente 2.500m. Leve uma blusa: as manhãs e noites são frias.

Os pueblitos de Boyacá

A grande maravilha de Boyacá está nos seus pueblos — pequenas cidades coloniais espalhadas pelas montanhas, cada uma com sua personalidade, sua especialidade culinária e sua praça central como coração da vida comunitária. A lógica das vans que partem de Sogamoso permite criar roteiros flexíveis, combinando dois ou três destinos no mesmo dia. Os preços das passagens são muito acessíveis; consulte os valores atualizados direto no terminal.

Tibasosa

Fundada em 1773, Tibasosa é um pueblo de arquitetura típica boyacense — fachadas brancas com molduras coloridas, telhados de telha colonial e uma praça central que convida a sentar e observar o tempo passar. É normalmente o primeiro pueblo que os viajantes visitam ao sair de Sogamoso, e funciona perfeitamente como aperitivo para o que vem a seguir.

Como chegar

Van saindo de Sogamoso direto para Tibasosa. A mesma van segue para Duitama, então é fácil combinar as duas no mesmo dia.


Duitama e o Pueblito Boyacense

Duitama é uma das maiores cidades da região e oferece excelente estrutura de comércio e gastronomia. O grande atrativo para os visitantes está um pouco afastado do centro: o Pueblito Boyacense, uma réplica encantadora de uma cidade colonial tradicional, com artesanato, comida típica e arquitetura que parece saída de um livro de história.

Como chegar — dica importante

Van de Sogamoso (ou continuação da van de Tibasosa). Desça na rotatória para conhecer o centro e caminhar até o Pueblito. Para voltar, dirija-se à rodovia principal — a van passa por lá, e ônibus de viagem também param se você der sinal. Há cobrança de entrada no Pueblito Boyacense.


Monguí

Monguí é, para muitos, o pueblo mais bonito de toda Boyacá. Arquitetura colonial impecável, ruas de paralelepípedo, a majestosa basílica e, ao fundo, a entrada para o Páramo de Ocetá — uma das paisagens de altitude mais surreais da Colômbia. A cidade é também famosa por ser considerada a capital mundial da bola de futebol artesanal de couro, produto que ainda hoje é exportado para competições ao redor do mundo.

Como chegar

Van saindo de Sogamoso. Não deixe de caminhar pela região atrás da igreja e até o rio e a ponte no final da rua principal — a vista é extraordinária.


Lago de Tota, Tota e Cuítiva

O Lago de Tota é o maior lago de água doce da Colômbia e um dos mais altos da América do Sul, a 3.015 metros de altitude. A rota que o acessa também atravessa os pequenos municípios de Tota e Cuítiva — ambos minúsculos, tranquilos e com praças centrais de tirar o fôlego. Cuítiva, em especial, tem uma praça que parece cenário de filme. O lago é raso, então esteja preparado para descer — e depois subir — muitos lances de escada até a Playa Blanca.

Rota completa

Sogamoso → Iza → Cuítiva → Tota → Lago → Aquitania

Van de Sogamoso até o Lago. Há uma pequena cobrança para descer até a Playa Blanca. A viagem dura cerca de 2h30.

É recomendável ir primeiro ao final da rota e depois ir voltando aos poucos. De Iza, você pega uma van de volta para Sogamoso.


Iza

Iza é um pueblo encantador com uma fama saborosa na região: é o lugar certo para parar e comer frutas com chantilly e calda, a sobremesa local que faz qualquer viajante considerar estender a estadia por mais um dia. Fica no caminho de volta do Lago de Tota, o que a torna uma parada natural e deliciosa.

Como chegar

Iza fica na rota do Lago de Tota — é possível descer lá na ida ou na volta. De Iza, há vans de volta para Sogamoso.


Nobsa

Conhecida como a Capital Artesanal da Colômbia, Nobsa é o destino certo para quem quer levar algo autêntico na mala. Tapetes coloridos, tecidos feitos em teares manuais e peças de lã de uma qualidade que não se encontra em nenhuma loja de souvenir urbana. O clima ameno e as paisagens pitorescas completam o quadro.

Como chegar

Van saindo de Sogamoso. Trecho curto e rápido.


Pesca

Cercada por lagoas e montanhas, Pesca é uma cidade de natureza encantadora que recebe poucos turistas — o que é precisamente seu charme. A van te deixa diretamente na frente da Igreja Matriz, e as vans de volta ficam paradas na rua lateral esperando a hora de partir.

Como chegar

Van saindo de Sogamoso direto até a Igreja Matriz.


Paipa

Paipa é famosa por suas águas termais, que atraem colombianos em busca de descanso e tratamentos terapêuticos. Vale também caminhar até o Lago de Sochagota para apreciar a paisagem. E é de Paipa que sai um caminho conveniente: van para Tunja (a capital da província) e de lá para Villa de Leyva.

Como chegar

Van saindo de Sogamoso (estilo van escolar, diferente das outras). Peça ao motorista para te deixar próximo ao terminal. Para continuar a rota até Villa de Leyva, pegue uma van para Tunja e de lá compre passagem para Villa de Leyva na rodoviária.


Villa de Leyva e Ráquira

Se Monguí é o mais bonito entre os pueblos próximos a Sogamoso, Villa de Leyva merece uma menção à parte. Fundada em 1572, é um dos mais bem preservados patrimônios coloniais da Colômbia. Sua Plaza Mayor — uma das maiores praças em pedra da América Latina — é simplesmente monumental. Museus, restaurantes, pousadas charmosas e uma energia cultural vibrante fazem dela um destino que pode ocupar facilmente um fim de semana inteiro.

A poucos quilômetros, Ráquira completa o passeio com suas ruas pintadas em cores impossíveis e sua produção de cerâmica — vasos e utensílios de barro que são o artesanato mais característico de toda a região.

Como chegar em Villa de Leyva

  • Direto do Terminal Norte de Bogotá — passagens disponíveis no local.
  • Via Paipa → Tunja → Villa de Leyva, encadeando vans na rodoviária de cada cidade.
  • Para Ráquira: van saindo de Villa de Leyva, trecho curto.

Atenção: a última van de Ráquira sai às 17h. Não perca ou o retorno se tornará uma aventura não planejada.

Resumo: os pueblos de um relance

Tibasosa
Arquitetura colonial
Praça típica boyacense, ótima para começar o roteiro
Duitama
Cultura e gastronomia
Pueblito Boyacense (entrada paga), boa estrutura urbana
Monguí
O mais bonito de Boyacá
Basílica, rio, ponte, Páramo de Ocetá e bolas artesanais
Lago de Tota
Natureza de altitude
Maior lago da Colômbia, 3.015m, Playa Blanca
Cuítiva e Tota
Pueblos tranquilos
Praças encantadoras, poucos turistas, paisagens verdes
Iza
Parada gastronômica
Frutas com chantilly — a sobremesa obrigatória da região
Nobsa
Capital artesanal
Tapetes e tecidos únicos feitos em tear manual
Pesca
Natureza tranquila
Lagoas, montanhas, bela Igreja Matriz
Paipa
Águas termais
Termais, Lago de Sochagota, porta para Villa de Leyva
Villa de Leyva
Patrimônio nacional
Plaza Mayor imponente, museus, gastronomia colonial
Ráquira
Cerâmica e cor
Ruas coloridas, artesanato em barro. Última van: 17h!

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