Cumbia: da Colômbia para o mundo

A cumbia é, provavelmente, um dos gêneros nascidos na América Latina com maior difusão na região. Com origem na Colômbia, há décadas o ritmo se reinventa e é adaptado de acordo com a localidade, sendo presente na vida de inúmeros hispano-americanos.

Muito importante para o folclore colombiano, esse é um dos casos em que a fusão cultural foi essencial para o desenvolvimento de uma manifestação musical. Com elementos que misturam raízes indígenas e africanas, a cumbia é um dos patrimônios mais importantes do país.

Continue lendo para conhecer a origem e a evolução desse gênero!

Qual a origem da cumbia?

O termo “cumbia” tem várias origens — e todas elas remontam a África. “Cumbé”, por exemplo, é o nome dado para “danças de negros”, enquanto “cumbe” é a forma como os habitantes da região de Bata, na Guiné Equatorial, são chamados.

Apesar do título, a primeira manifestação cultural que tornou a cumbia possível é indígena. A instrumentalização se deu pelo uso de maracas, que ajudaram a marcar o ritmo das danças e cantos.

Na região conhecida como Depressão Momposina — na costa caribenha, em torno do delta do rio Magdalena e dos Montes de María —, antes mesmo da invasão espanhola, o povo Tairona desenvoUlveu instrumentos como a flauta de millo e as gaitas macho (kuisi sigí) e fêmea (kuisi bunzí) para fazer a música de seus rituais — em especial os fúnebres.

Depois da chegada com os espanhóis, a população negra escravizada entrou no território por meio do porto de Cartagena de Índias, também na costa do Caribe e próximos à Depressão Momposina. 

Com a fuga dos negros para os “palenques” (quilombos) e construção de sociedades separadas, como é o caso de San Basílio de Palenque, eles entraram em contato com os indígenas que habitavam a região. Assim, a flauta, as gaitas e as maracas ganharam a companhia dos tambores africanos, que passaram a marcar o ritmo de forma mais forte.

O último aporte para a formação da cumbia é o acordeão europeu. Apesar de nem sempre ser utilizado, em especial no gênero tradicional, ele é uma peça importante para instrumentalizar outras adaptações da música.

Quais são os tipos de cumbia?

A música tradicional existe há séculos, mas foi a partir dos avanços da indústria fonográfica que a cumbia deixou de ser local e conseguiu, inclusive, ultrapassar fronteiras. Com isso, surgiram novas formas de fazer a música, adaptando-a para cada localidade.

Cumbia colombiana

Sendo o local de origem, na Colômbia ainda se escuta bastante a cumbia clássica, similar ao modo antigo de fazê-la: com tambores e flautas.

Porém, também existem outras versões no país. São elas:

  • cumbia sabanera: com origem nas regiões dos lençóis de Córdoba, Sucre e Bolívar, é cantada por bandas de músicos conhecidos como “pelayeros”;
  • cumbiamba: com o apoio do acordeão, é mais orquestrada e popular em regiões mais afastadas da costa do Caribe, com Cali, Medellín e Bogotá;
  • cumbia vallenata: também acrescenta o acordeão, fazendo fusões com o gênero vallenato, outro estilo musical de origem colombiana.

Cumbia mexicana

Embora não haja confirmação, acredita-se que a primeira cumbia gravada fora da Colômbia tenha sido no México. Em 1950, o colombiano Luis Carlos Meyer aproveitou que estava em turnê no país para gravar “Cumbia Cienaguera”.

Esse foi um ponto importante para estabelecer contatos em terras mexicanas, que, depois, acabaram difundindo o ritmo. Hoje, o México é um dos maiores produtores de cumbia no mundo, tendo gerado outras variações do gênero, como é o caso de:

  • cumbia tropical: usa a base da cumbia com o apoio de grupos que cantam a chamada “banda” mexicana, além de aportes da música caribenha, como é o caso do mambo;
  • technocumbia: bastante difundida no norte do país e no sul dos Estados Unidos entre os anos 1980 e 1990, recebeu esse nome por usar elementos tradicionais com sintetizadores e aspectos da música eletrônica. Tem influências dos ritmos norteño e ranchera, também usando guitarras elétricas na instrumentalização.

Cumbia argentina

A Argentina se tornou um dos maiores consumidores da cumbia no mundo. Segundo dados da plataforma Spotify, o país registrou, em 2020, 105 milhões de horas de reprodução de músicas do gênero. Para colocar em uma perspectiva: isso significa 11 anos diretos.

O ritmo foi introduzido em terras argentinas pelo colombiano Lucho Bermúdez, em 1946, ao assinar um contrato e lançar pela gravadora RCA Argentina um disco com cumbias autorais suas. 

A cumbia se espalhou no interior da Argentina, principalmente na região de Córdoba. Acabou se misturando com um outro gênero popular, o cuarteto, dando origem ao que hoje é chamado de cumbia villera. Em poucos anos, a música também chegou a outras cidades, como é o caso de Santa Fé — que deu à luz a cumbia santafesina. 

A partir da década de 1990, a divulgação massiva por meio de festivais regionais fez com que as camadas populares de todo o país passassem a consumir o gênero.

Cumbia peruana

O Peru também é outro país que se rendeu aos encantos da cumbia. O ritmo chegou em terras peruanas na década de 1960, ainda bastante influenciado pelas versões colombianas.

Porém, com o passar do tempo, também foram desenvolvidas novas formas de fazer a música. A mescla com o huayno e o vals, gêneros populares andinos, trouxeram novos instrumentos, como é o caso do charango e do cajón peruano.

Outro estilo que influenciou foi o rock, que contribuiu com a entrada das guitarras elétricas.

Se você gostou de conhecer a cumbia e sua difusão na América Latina, leia sobre o rock em espanhol!

2 thoughts on “Cumbia: da Colômbia para o mundo

  1. Salve, Isabela!

    Desde minha juventude que sou apaixonado pela música latino-americana, mas conheci a “cumbia” na fronteira do Brasil com o Uruguay.

    Gostei tanto do ritmo que comprei um CD (camelô), antes de entrarmos e visitarmos aquele país, por receio de voltarmos, à noite, e eu perder a oportunidade de ‘levar aquela música comigo’.

    Voltando de Montevidéo, pela manhã, na mesma fronteira, fui numa loja de som automotivo e troquei o rádio anterior, um toca fitas k7, por um “moderno” àquela época, com entrada para CD, somente para continuar ouvindo as músicas na viagem de volta. Dentro do Uruguay eu sintonizava as rádios.

    Detalhe: tínhamos um walkman, mas como não se pode usar este tipo de dispositivo ao dirigir, colocar o auto rádio com CD Player foi a solução encontrada.

    E, agora, buscando ouvir este ritmo gostoso novamente, me deparei com o seu trabalho de pesquisa, onde você mostra as variações existentes, dentro do próprio continente.

    Gostei muito. Parabéns!

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